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Correio da Manhã

Portugal
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ERRO EM OBRA PROVOCOU FOGO

O ministro do Ambiente, Luís Nobre Guedes e o presidente da Galp Energia que tutela a Petrogal, Ferreira do Amaral, explicaram as explosões ocorridas na tarde de sábado numa secção dos pipe-lines no porto de Leixões, junto à praia de Leça, como "um erro de obra".
2 de Agosto de 2004 às 00:00
O fogo no terminal do porto de Leixões só ficou extinto na madrugada de ontem
O fogo no terminal do porto de Leixões só ficou extinto na madrugada de ontem FOTO: Estela Silva/Epa
No final de uma reunião que ocorreu durante uma hora nas instalações da Administração dos Portos do Douro e Leixões (APDL), edifício próximo do local do acidente e a seguir à visita ao lugar do acidente e à marina fortemente poluída, Nobre Guedes anunciou a criação de uma comissão de inquérito para apurar as causas das explosões.
"Não é verdade que se trate de mais uma comissão de inquérito que nada vá concluir", disse o ministro que, para além das causas quer ver "averiguado exaustivamente se todas as normas de segurança e ambientais foram cumpridas".
O ministro disse ainda que a situação foi considerada pelo Governo "um grave acidente", devendo contudo considerar-se um acidente de obra e não de funcionamento da refinaria. "A refinaria não está em questão", acrescentou e na reunião não foi sequer aflorada a mudança da Petrogal.
Nobre Guedes quis tranquilizar a população, que é muito hostil à presença da Refinaria do Cabo do Mundo-Leça da Palmeira, e afirmou que "não há nenhum risco de impacte ambiental". Prometeu que o Governo e a Petrogal terão uma acção concertada não só para apurar as responsabilidades mas ainda para reparar os prejuízos e consequências do acidente.
Ferreira do Amaral assegurou que dentro de dias estarão reparados os danos ambientais causados. "Temos meios próprios para isso. É uma responsabilidade social que a Galp não enjeita e assumirá até ao fim".
O responsável da Galp assegurou que não haverá qualquer falha ou dificuldades de abastecimento de combustíveis no País e em especial no Norte, zona que depende muito do fornecimento da refinaria de Matosinhos.
Ainda quanto às causas do acidente, o presidente da Galp Energia apontou como hipótese uma violação de procedimentos no decurso da obra de substituição dos pipe-lines e que a Galp está já a averiguar as circunstâncias em que decorreu a primeira explosão que originou o incêndio que demorou cerca de 10 horas a combater. Só pouco depois da meia- -noite foi dado por concluído o combate dos bombeiros que se tinha iniciado às duas da tarde de sábado.
"A Galp lamenta mais que ninguém este acidente e procurará manter a sua política de inserção social correcta na zona em que se encontra e vai manter os investimentos que melhorem a segurança e aceitabilidade por parte da população", disse.
O acidente ocorreu precisamente no termo da primeira fase da obra, o que é "um desapontamento para a empresa que na fase conclusiva do investimento vital para melhorar a segurança", afirmou Ferreira do Amaral. Este investimento foi de 30 milhões de Euros.
A desactivação da refinaria defendida há anos pelo presidente da Câmara de Matosinhos, Narciso Miranda, já não é. O autarca explicitou a sua mudança de opinião. Depois de referir que "a convivência com a Galp é difícil" mas "é preciso recuperar a confiança dos cidadãos", disse que qualquer equipamento importante do ponto de vista nacional pode e deve continuar a funcionar em Matosinhos, desde que cumpra as normas da legislação em vigor, no País e na Europa, e que tem colaborado nos planos de investimento na modernização da Petrogal no concelho.
DANOS MAIORES NO CLUBE NAVAL E NA MARINA
Para além dos equipamentos da Petrogal, o incêndio e explosões provocaram os maiores danos na Marina de Leixões e nas instalações do Clube Naval.
A Marina ficou fortemente poluída com petróleo bruto derramado e o espumífero. Uma barreira na saída para o mar e películas absorventes foram espalhadas. Não parece haver perigo de contaminação do mar e do porto de Leixões. A Marina tem dois mil metros quadrados. Já as intalações sociais do Clube Naval (restaurante, bar, zona administrativa) essa foi em parte queimada e sobretudo massacrada com água e espuma. Os pipe-lines passam nas traseiras. Ferreira do Amaral prometeu "instalações reconstruídas" ao presidente.
BALANÇO
PRAIA EM PLENO
Ontem, apesar do intenso e irritante odor a crude, a praia e avenida de Leça tinha o movimento habitual de Verão. Só junto ao paredão havia poluição. Comentário só este: “nunca mais tiram esta porcaria daqui...”
FERIDOS
Carlos Pereira, da Protecção Civil, disse que só dois bombeiros estavam internados: um de Matosinhos, no Hospital de St. António com queimaduras nos membros inferiores, e outro do corpo da Petrogal também com queimaduras, mais leves.
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