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Correio da Manhã

Portugal
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Escola nega que amianto esteja a provocar cancro

A presidente do conselho directivo da Escola Secundária do Cartaxo, Hélia Monteiro, disse ontem ao CM que a cobertura em amianto não está relacionada com os casos de doenças do foro oncológico detectadas em várias funcionárias.
19 de Julho de 2007 às 00:00
s Na escola secundária do cartaxo já morreram três funcionárias vítimas de cancro
s Na escola secundária do cartaxo já morreram três funcionárias vítimas de cancro FOTO: Cátia Vicente
Insurgindo-se contra o “alarme injustificado” que o assunto está a provocar entre os habitantes do concelho ribatejano, a responsável refere que em Maio a escola contratou um laboratório credenciado para realizar análises ao amianto nos telhados de fibrocimento do estabelecimento de ensino. “Os resultados mostram que os níveis encontrados são muito inferiores àquilo que pode pôr em risco a Saúde Pública”, garante Hélia Monteiro.
Duas auxiliares de educação e uma funcionária administrativa da escola morreram com cancro, mas “em todos os casos, a doença manifestou-se ao nível da ginecologia, e nunca ao nível do aparelho respiratório – onde o amianto se manifesta”, assegura a mesma responsável.
Também a delegada de saúde do concelho, Estela Fabião, nega que os casos se devam à exposição a este material, confirmando que nenhuma das doentes tinha problemas ao nível do aparelho respiratório.
A Escola Secundária do Cartaxo aguarda agora uma inspecção do Instituto Ricardo Jorge, solicitada pela autarquia para “afastar quaisquer suspeitas de que haja uma relação de causa-efeito entre os casos sinalizados e os materiais dos pavilhões escolares”, explicou o vereador com o pelouro da Educação, Pedro Magalhães Ribeiro.
Apesar de entender a apreensão dos funcionários e encarregados de educação, o vereador diz que “não há razões concretas para alarme”.
“Para já, estamos tranquilos com os resultados das vistorias já realizadas, mas é muito difícil falar no futuro porque se tratam de telhas com amianto”, esclareceu o presidente da associação de pais da escola, João Paulo Faria.
As instalações da escola têm cerca de 25 anos e, tal como muitas outras de norte a sul de Portugal, foram construídas quando o fibrocimento ainda era legalmente permitido em edifícios escolares. O amianto tem tendência para se começar a desagregar ao fim de 25 anos, mas João Faria garante que “as análises feitas indicam que isso não se está a verificar neste caso concreto”.
DEZENAS DE ESCOLAS PEDEM ANÁLISE
O Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge tem recebido inúmeros pedidos de escolas de todo o País a solicitar análises ao material que reveste os edifícios. Ao que foi possível apurar, a Escola Secundária do Cartaxo pediu a este instituto uma inspecção no início do mês de Maio, inspecção essa que ainda não foi possível realizar devido à extensa lista de espera. Grande parte das escolas do País foram construídas numa altura em que o fibrocimento – que contém amianto, uma substância potencialmente nociva para a saúde – ainda era permitido na construção de edifícios escolares. A partir de 1971 e até meados dos anos 80 foram anualmente construídas em Portugal 60 a 90 escolas com utilização de fibrocimento, sobretudo em coberturas e telheiros.
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