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Correio da Manhã

Portugal
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Escolas abrem num só dia

A ministra da Educação admitiu ontem, em Faro, que no próximo ano lectivo o início das aulas poderá realizar-se num único dia, em vez de ao longo de uma semana, como tem acontecido nos últimos anos. Com as regras em vigor, no primeiro dia só abriram as portas 15 por cento das escolas – a maioria só deverá começar a funcionar no dia 15, o último do prazo.
13 de Setembro de 2006 às 00:00
“Podemos pensar nisso no próximo ano lectivo, este ano foi assim determinado e tem sido esta a prática, mas no futuro podemos pensar outras soluções”, disse Maria de Lurdes Rodrigues, que presidiu às cerimónias de arranque de mais um ano lectivo na região algarvia, visitando três escolas do concelho de Faro.
Questionada pelos jornalistas sobre as intenções de greve manifestadas pelos sindicatos, que não concordam com a proposta do novo Estatuto da Carreira Docente, a ministra defendeu que o descontentamento não deverá afectar a normalidade do início do ano escolar.
O primeiro-ministro, José Sócrates, juntou-se à comitiva para inaugurar a nova Escola Básica do 1.º Ciclo com Jardim-de-Infância da Conceição. À entrada, um professor do 1.º Ciclo, vestido de palhaço, pedia “mais atenção para a educação artística e expressão dramática” nas escolas básicas.
PRÉMIO NACIONAL
José Sócrates, que por várias vezes referiu que o ano lectivo começou com normalidade, anunciou a criação de um prémio nacional para os professores. O CM apurou que este prémio será em dinheiro. O galardão premiará a capacidade de inovação e empenho do docente. O regulamento está a ser formalizado, haverá candidaturas e será premiado o melhor professor de cada ciclo de ensino no final do ano lectivo. O trabalho será avaliado por uma comissão constituída por pessoas com relevância na área da Educação.
Na Escola Secundária Pinheiro e Rosa, que também visitou ontem, Maria de Lurdes Rodrigues foi recebida por um grupo de professores, “de luto e em luta pela educação”, contra as iniciativas do Ministério. “O novo estatuto é muito grave para professores e educadores. O aumento do número de anos a leccionar para subir de escalão e as novas tabelas de ordenados representam uma perda muito grande”, referiu ao CM Ana Simões, da Fenprof.
A ministra fez questão de distinguir os problemas que estão em causa. “Penso que os professores distinguem com clareza aquilo que são matérias de natureza laboral, relacionadas com as negociações que temos de ter com o sindicato para a revisão do seu estatuto, e aquilo que são matérias profissionais de concretização das práticas e das actividades de ensino no interior da escola”, referiu, depois de ter visitado, pela manhã, a Escola EB 2,3 Dr. José Neves Júnior. Aquele estabelecimento de ensino tem sido alvo de constantes mudanças ao longo dos últimos anos. Agora que já oferece aos alunos aulas de Inglês, Música e Informática, o passo seguinte é o desenvolvimento do projecto de um jardim-de-infância contíguo à escola.
ENCERRAMENTO DIVIDE PAIS
Pedro, aluno da segunda classe, mal pode esperar por amanhã, dia em começam as aulas na escola nova de Vilar de Nantes, Chaves, depois de no ano passado ter sido o único aluno da primária de São Julião. Finalmente, vai ter outros miúdos, pelo menos 33, com quem jogar à bola e brincar no recreio. “No ano passado havia dias em que o Pedro chorava. Não queria ir à escola porque não tinha mais ninguém com quem brincar”, conta a mãe, Teresa Cruz. “Finalmente vou poder jogar à bola. Na minha antiga escola, a única coisa que fazia era andar de bicicleta e jogar no computador”, diz o aluno. Mas se em Chaves até se aceita o encerramento de escolas, em Freixo de Espada à Cinta, não. Os pais dos alunos de Lagoaça protestaram e não querem que os filhos estudem na sede de concelho, a 20 quilómetros.
ESTUDA-SE POUCOS ANOS
Portugal é o país da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) onde se dedica menos anos ao estudo. Segundo um relatório sobre educação, relativo a 2003 e 2004, os portugueses entre os 25 e os 64 anos passaram 8,5 anos na escola, abaixo da média dos 30 países da OCDE (11,9 anos). No topo está a Noruega, onde se dedicam 13,9 anos a estudar. A população adulta portuguesa é a segunda com mais alta percentagem de pessoas que só têm a instrução primária – 61 por cento, quando a média da OCDE é de 30 por cento. Os alunos portugueses são dos que menos aulas têm de Matemática – 12 por cento do currículo entre os nove e onze anos é consagrado à disciplina. Apenas um quarto dos adultos tinha o Secundário em Portugal, longe dos 67 por cento de média. De acordo com o relatório, 25,6 por cento dos jovens entre os 15 e os 19 anos não estavam a estudar em 2004 (média da OCDE: 17,2 por cento).
O QUE DIZ O RELATÓRIO
EMPREGO MAIS FÁCIL
A taxa de empregabilidade para quem não chegou ao Secundário é alta em Portugal: 72 por cento, a segunda mais elevada da OCDE.
4423 EUROS/ALUNO
Portugal é o 22.º país no que respeita ao financiamento por aluno, desde o Básico ao Superior: 4423 euros. A média da OCDE é de 5889 euros e o país que mais gasta com os alunos é a Suíça: cada estudante custa 9515 euros por ano. A Turquia está no oposto: 998 euros.
FORA DA ESCOLA
Preocupantes são os dados relativos à percentagem de jovens que devia estar a estudar mas que já não frequenta a escola: 62,2 por cento dos que têm entre 20 e 24 anos (média: 59,3) e 88,7 por cento dos 25 aos 29 (84,2 por cento de média).
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