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Correio da Manhã

Portugal
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Escolas do Centro sem regras

Corredores de salões paroquiais a servir de sala de apoio ao estudo, cheiro a esgoto enquanto se tem Inglês e Música ou pais obrigados a comprar manuais e flautas para os filhos poderem ter actividades de enriquecimento curricular (AEC) no 1.º Ciclo.
24 de Janeiro de 2007 às 00:00
Este é o retrato traçado pelo Sindicato dos Professores da Região Centro (SPRC), num estudo divulgado ontem e que analisou 81 dos 89 municípios da Região Centro, englobando mais de 2500 professores, 1690 escolas e 69 653 alunos. “Falta de regras”, é a principal conclusão encontrada pelo sindicato sobre a implementação das AEC nas escolas.
O estudo enuncia vários exemplos do que se passa nas escolas primárias: no agrupamento de Marrazes (Leiria) os aluno têm actividades de enriquecimento curricular no rés-do-chão do salão paroquial, ao mesmo tempo que decorre o ATL. Quem chegar primeiro à sala, tem sorte, senão “tem de utilizar o corredor para as actividades”. Noutras escolas, o Inglês, a Música ou a Educação Física têm lugar no intervalo do almoço ou, em várias situações, a meio do período lectivo, obrigando à interrupção das aulas.
Em relação aos contratos dos professores, o sindicato afirma que “roçam o escândalo, com normas ilegais”. Os pagamentos variam entre os quatro e os 15 euros por hora. Em Castanheira de Pêra o valor pago é de 7,08 euros, enquanto em Trancoso cada docente recebe 17 euros por hora. O sindicato considera “necessário uma auditoria a todo o processo” e vai enviar o estudo para o Ministério da Educação e para as inspecções-gerais da Educação, Trabalho e Finanças.
O Ministério reconhece a existência de problemas, mas assinala que não significa “o insucesso da aplicação da medida”.
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