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Correio da Manhã

Portugal

Esconder dívida vale 5,1 milhões de multas

Salgado, Morais Pires e José Santos com as penas mais pesadas.
Miguel Alexandre Ganhão(miguelganhao@cmjornal.pt) 4 de Junho de 2016 às 10:38
Morais Pires 3 anos fora da Banca. Salgado 10 anos fora das Finanças. José M. Espírito Santo suspenso 3 anos
Morais Pires 3 anos fora da Banca. Salgado 10 anos fora das Finanças. José M. Espírito Santo suspenso 3 anos FOTO: Mário Cruz/Lusa/Bruno Colaço/Jorge Paula
É a primeira condenação, dos muitos processos, que o Banco de Portugal abriu contra os responsáveis do Banco Espírito Santos (BES). Ricardo Salgado, Morais Pires e José Manuel Espírito Santo agiram com intenção de enganar (dolo) investidores e clientes quando deram ordens para "esconder" um passivo de 1,3 mil milhões de euros da Espírito Santo International (ESI), vendendo aos balcões do BES papel comercial de sociedades do Grupo BES praticamente falidas.

Salgado terá de pagar uma multa de quatro milhões de euros e não poderá exercer qualquer cargo na Banca durante 10 anos. Morais Pires e José Manuel Espírito Santo pagam 600 e 525 mil e ficam inibidos de exercer funções bancárias durante três anos. Para estas condenações foi fundamental o testemunho de Machado da Cruz, responsável pela contabilidade da ESI, que desde que foi ouvido na comissão parlamentar de inquérito sobre o BES (janeiro de 2015) colaborou com o Banco de Portugal, explicando todo o mecanismo que levou ao à ocultação da dívida. Quando foi ouvido no Parlamento, o contabilista pediu desculpa pela sua atuação, assumindo ter colaborado na ocultação de prejuízos e alteração de contas da ESI desde 2008. E afirmou sempre ter agido por ordem de Ricardo Salgado e que este era sempre informado de tudo o que era feito.

Foram condenados ainda por negligência oito outros administradores e quatro foram absolvidos.

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