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Correio da Manhã

Portugal
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Escondiam droga em biblioteca

São jovens e ricos, vivem em Santo Tirso e durante pelo menos um ano dedicaram-se à venda de droga e armas. Os negócios, que renderam milhares de euros aos 20 traficantes, eram feitos junto aos estabelecimentos de ensino da cidade – e até as paredes da biblioteca municipal serviam de esconderijo para a droga. Há ainda quatro cúmplices, agora acusados pelo Ministério Público, que também assaltaram casas e lojas. Hélder Nogueira, conhecido como ‘Preto’, é tido como o cabecilha do grupo. Tem 27 anos e montou um esquema com os amigos: compravam droga barata que depois vendiam a um preço sete vezes superior.
9 de Abril de 2012 às 01:00
Julgamento vai decorrer no Tribunal de Santo Tirso. Vinte respondem por tráfico
Julgamento vai decorrer no Tribunal de Santo Tirso. Vinte respondem por tráfico FOTO: direitos reservados

Por temerem ser apanhados com droga, escondiam--na nos buracos das paredes da biblioteca e marcavam o local com um ‘x’. Estudantes da cidade ou amigos eram os compradores.

Sílvio ‘Lorito’, Nuno ‘Gordo’, Nelson ‘Pisco’, Mário Quintãos e ‘Marquinho’ eram os membros do grupo mais próximos do líder, já que também ajudavam nas transacções de droga. Luís ‘Ratinho’ era o responsável pelo corte das placas de haxixe.

Maria da Conceição Nogueira, mãe de ‘Preto’, também é arguida no processo. A pedido do filho, a mulher tentou levar droga para a cadeia, que escondeu nos genitais. Apanhada na revista, está acusada de tráfico. A namorada do arguido, Cristiana Marques, também participava no esquema de compra e venda.

O grupo também é acusado de tráfico de armas, já que propunha negócios milionários a amigos e conhecidos. Apesar de não terem licenças, os arguidos compravam e vendiam caçadeiras, shotguns e pistolas.


TINHAM CÓDIGOS PARA PRODUTOS QUE VENDIAM

Segundo a acusação, a que o CM teve acesso, os arguidos tinham por hábito mudar de número de telefone e até mesmo de casa com muita frequência. Ainda assim, tal não evitou serem apanhados em escutas. Nas conversas telefónicas interceptadas pelas autoridades, o grupo tentava disfarçar o negócio com códigos para as várias drogas. Os traficantes chamavam "virgem", "Ferrari" ou "TDI" ao haxixe e "pulseiras" ou "convites" à cocaína. Por várias vezes, os arguidos também se referiram às drogas como "guloseimas" ou "camisolas para fumar". Quando as placas de estupefacientes estavam por cortar, diziam ter "cenas inteiras". Para os cúmplices saberem que o produto estava pronto a vender, enviavam uma mensagem escrita a dizer apenas "MILO".

CHAVES DE CASA COPIADAS PARA ROUBAR AMIGOS

Para assaltarem casas, os traficantes faziam vários planos. Escolhiam o alvo, observavam as redondezas e decoravam as rotinas dos moradores. Para além disso, Mauro ‘Chaneta’ pediu a João Garrett (são ambos arguidos no processo) que roubasse chaves de casa de amigos para fazer cópias. Este último aceitou e acabaram por assaltar uma moradia, em Santo Tirso, que lhes rendeu quase 37 mil euros em relógios, jóias, ouro e prata. O lucro foi dividido.

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