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Correio da Manhã

Portugal
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Escritores contra exame de Português

Pedro Tamen, Ana Hatterly, Casimiro de Brito, Mário Claúdio e José Luís Peixoto são alguns dos escritores que assinaram uma petição na internet (petitiononline.com/mercurio) contra o novo exame de Português do 12.º ano. Em causa está a adopção de um modelo que inclui perguntas com respostas de escolha múltipla (‘teste americano’).
25 de Abril de 2006 às 00:00
As respostas com cruzinhas estão no centro da polémica
As respostas com cruzinhas estão no centro da polémica FOTO: Vítor Mota
Maria Vieira, professora de Português e autora da petição, diz que o Governo quer fazer uma “aberração” e revela que está à espera de chegar às quatro mil assinaturas para forçar a discussão do assunto no Parlamento. “O ensino do Português está a degradar-se e não podemos pactuar com o facilitismo”, defende.
O novo modelo de prova deverá ser apresentado aos alunos a 19 de Junho. Maria Vieira diz que já perdeu a esperança para este ano, mas que a petição pretende “deixar pegadas no tempo”. Segundo o escritor Casimiro de Brito, “embora estejamos neste momento perante um muro das lamentações, é preciso não desistir”.
O escritor Mário Cláudio diz que este é o triunfo do esquematismo e só pode redundar no empobrecimento da língua. Para José Luís Peixoto, por seu turno, é de extrema importância que os alunos não percam o hábito da escrita. Isso empobrece o ensino”, remata.
A Associação de Professores de Português está a favor do teste. “Permite avaliar a leitura e a interpretação separadamente da escrita”, diz Paulo Feytor Pinto. Fonte do Ministério da Educação lembra que a alteração faz parte da reforma iniciada em 2003 e que se as provas são de escolha múltipla é porque os “professores seniores” chamados para as elaborar assim o decidiram.
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