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Correio da Manhã

Portugal
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Esgoto mata marisco

A cor e o cheiro da água não enganam. Há esgoto a escorrer para a Ribeira das Fontes, que desagua na Ria Formosa, na zona do Montenegro, em Faro. O problema era numa conduta, ao que tudo indica entupida, que ontem transbordava.
29 de Janeiro de 2008 às 00:30
Como foi possível constatar no local, as escorrências residuais, de cor acastanhada e com muita espuma, não têm tratamento. A situação foi detectada ontem. Ninguém sabe desde quando está a ocorrer. Nem a Fagar (ver caixa).
A situação - que segundo apurámos não é nova - está a deixar revoltados mariscadores e viveiristas de amêijoas e ostras, que se queixam que o marisco está a morrer, principalmente, devido à poluição nos canais da Ria Formosa.
“Há quase um ano que vejo aquela ribeira com água a escorrer com cor barrenta e acastanhada”, contou ao CM Orlando Silvestre, viveirista há 35 anos. Segundo este mariscador, a água poluída, “por onde passa, mata tudo”. Nos últimos três anos diz já ter perdido cerca de 10 mil euros com os viveiros. “Coloquei lá amêijoas nesse valor e está tudo a morrer. Foi como se jogasse o dinheiro fora”, lamenta.
O mesmo problema sente Francisco Ramos, que diz que na profissão já não se consegue ganhar para comer. “Em dez amêijoas, duas estão mortas e oito vivas. A situação está cada vez pior e um dos grandes problemas é a poluição”, garantiu ao CM. A poluição provocada pelos esgotos e “a porcaria atirada para a Ria”, assegura Francisco Ramos, são as principais causas para a morte dos bivalves.
Para agravar, os profissionais lamentam que o preço esteja sempre a baixar. “Antes conseguíamos vender a quase 15 euros o quilo, mas agora não chega aos cinco”.
TODOS OS DIAS REGISTAM-SE ENTUPIMENTOS
A Fagar (empresa municipal responsável pela gestão de águas e resíduos em Faro) regista diariamente cerca de três entupimentos na rede de esgotos, segundo revelou ao CM o administrador José Viegas Jacinto. “As pessoas atiram tudo o que se possa imaginar para os colectores, como pequenos alguidares, esfregonas e pensos higiénicos, o que acaba por gerar este tipo de problemas”, salientou o referido responsável. A empresa dispõe de um piquete permanente e de uma máquina específica destinada à desobstrução dos colectores. José Jacinto garantiu que “sempre que a Fagar é informada de qualquer problema actua rapidamente, pelo que quando as pessoas detectam qualquer ruptura devem contactar-nos”. No caso de ontem, a empresa desconhecia que havia uma fuga na zona de Montenegro e que os esgotos estavam a escorrer para uma linha de água. O administrador da empresa assegurou que o piquete iria intervir de imediato para resolver o problema.
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