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Correio da Manhã

Portugal
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ESGOTOS NO TEJO SEM TRATAMENTO

Os esgotos de 300 mil habitantes – de Lisboa Ocidental, parte da Amadora e de Oeiras – estão a ser encaminhados para o rio Tejo sem tratamento desde terça-feira, quando a Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Alcântara deixou de funcionar devido à infiltração de areia e terra propiciada pela cratera que, a 25 de Novembro, abriu em Campolide.
19 de Dezembro de 2003 às 00:00
Segundo afirmou ao Correio da Manhã a vereadora Alexandra Gonçalves, representante da Câmara Municipal de Lisboa na empresa gestora da ETAR, os operadores desta estrutura estavam, ontem, a limpar o colector, colocando-se então a possibilidade de que hoje ao fim do dia os trabalhos de remoção de areias estivessem concluídos e a ETAR pudesse retomar o funcionamento.
Alexandra Gonçalves esclareceu que, a partir de dia 25 do mês passado, a ETAR de Alcântara, equipada para fazer tratamento primário (retenção dos elementos sólidos, sem tratamento físico-químico) começou “a laborar a meio gás”, mas só no dia 9, terça-feira, parou, em resultado da acumulação de grandes quantidades de areia e terra, que taparam os canais.
A vereadora notou, contudo, que caso as condições meteorológicas se agravem, os trabalhos de limpeza do colector podem atrasar-se e, de igual modo, se receia que o mau tempo favoreça a degradação do piso em Campolide, onde já abriram duas crateras.
“PERIGO AMBIENTAL”
Alexandra Gonçalves, elemento do anterior executivo municipal, sublinhou a fragilidade do caneiro, a montante e a jusante da ETAR, notando que alguns troços daquele “têm cem anos”.
A mesma responsável lembrou, todavia, sobre a situação presente, ter a Câmara Municipal de Lisboa assegurado que um empreiteiro daria início à reparação da cratera em Campolide e estarem, por outro lado, os próprios operadores da ETAR, ontem, a limpar o colector.
Carlos Moura, dirigente do núcleo de Lisboa da associação ambientalista Quercus, explicou que os poluentes – em situação normal, retidos na ETAR – são encaminhados directamente para o rio. “Esperamos que as entidades responsáveis se apressem a tomar as medidas necessárias”, disse, alertando para a possibilidade de as águas residuais não tratadas chegarem à costa (Estoril), movidas pelas correntes do rio. Alexandra Gonçalves considerou, por seu turno, que, “por enquanto, não existe perigo para o ambiente”, embora a empresa gestora da ETAR (SimTejo) não esteja a fazer monitorização do meio receptor dos esgotos – o rio Tejo.
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