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Correio da Manhã

Portugal
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Esmeralda “tem medo”

A pequena Esmeralda sabe que o seu futuro está dependente de uma decisão judicial e que amanhã, 23 de Julho, é o dia determinado pelo Tribunal de Torres Novas para que seja entregue ao pai, Baltazar Nunes. Sabe ainda que pode deixar de viver com os pais afectivos, Luís Gomes e Adelina Lagarto, que a acolhem desde os três meses.
22 de Julho de 2008 às 00:30
A criança foi adoptada por Luís Gomes e Adelina Lagarto quando tinha três meses. Agora, pode ir para casa do pai biológico
A criança foi adoptada por Luís Gomes e Adelina Lagarto quando tinha três meses. Agora, pode ir para casa do pai biológico FOTO: Ricardo Almeida

Consciente de tudo o que se passa à sua volta, a menor "tem medo" e "um sentimento de perda muito grande", conta Luís Gomes, revelando que, nos últimos dias a menina "tem reclamado mais miminhos e colinho", assim como a "presença constante" de Adelina.

Entre hoje e amanhã, a juíza Sílvia Pires, titular do processo, vai emitir um despacho que pode confirmar ou alterar a decisão anterior. Nas mãos da magistrada está a suspensão da entrega, o adiamento por mais alguns meses ou a transição imediata da menor, agora com seis anos.

"Estamos expectantes, mas serenos", disse ontem Luís Gomes ao CM, sublinhando que só lhe resta "esperar" pelo despacho. O sargento acredita que, na hora de decidir, a magistrada "vai ter em conta os interesses da menina".

Luís Gomes acredita que "em breve" vai poder passar "umas férias na praia" com a menina e a mulher. "Não serão muitos dias, nem muito longe", devido às visitas aos pais biológicos e ao facto de Adelina estar impedida de sair do concelho.

RELATÓRIOS SÃO CONTRA ENTREGA IMEDIATA

A maior parte dos relatórios que o Tribunal de Torres Novas vai ter em conta quando decidir o futuro de Esmeralda considera que a menor não está preparada para a transição imediata. Quando redigir o despacho, Sílvia Pires vai basear-se nestes documentos e também a audição da criança, realizada na semana passada. No relatório enviado ao Tribunal, os médicos do Serviço de Pedopsiquiatria de Santarém consideram que Esmeralda ainda não interiorizou a ideia de ir viver com o pai e que tal mudança pode provocar-lhe danos. O parecer da Direcção-Geral de Reinserção Social diz que a menor interage bem com Baltazar mas apenas do ponto de vista lúdico. Já a exposição do infantário revela que a criança não integra o pai biológico no seu conceito de família.

BALTAZAR PROGRAMA FÉRIAS

Baltazar Nunes, pai biológico de Esmeralda, conta levar a menina de férias ainda este mês. O progenitor, segundo o blogue Esmeralda-Sim, tem uma casa alugada numa "praia muito discreta" para passar uns dias na companhia de Esmeralda, da sua mulher, Ilda, do filho desta e de uma prima. "Até já tem uma toalha, um biquíni e bronzeador, não faltando o tradicional balde de plástico", é referido na página de internet.

No processo de regulação do poder paternal, a justiça tem dado razão a Baltazar mas, até agora, e por indicações médicas, a menor continua com o casal Gomes.

DATAS E FACTOS

ENTREGA AO CASAL

O caso Esmeralda começou em Maio de 2002, quando, através de uma amiga, a mãe, Aidida Porto, entregou a criança a Luís Gomes e Adelina Lagarto, por não ter condições para a sustentar.

BALTAZAR RECLAMA

Em Fevereiro de 2003, Baltazar perfilhou Esmeralda e iniciou o pedido de regulação do poder paternal. Em Julho do ano seguinte, o Tribunal dá razão ao pai.

SARGENTO PRESO

Em Janeiro de 2007, o sargento foi condenado a seis anos de prisão por sequestro e subtracção de menor. Saiu em Maio com pena suspensa.

 

 

 

 

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