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Correio da Manhã

Portugal
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Espalham terror em roubo armado

De caçadeira na mão, e já encapuzados, três dos quatro assaltantes saltaram do Honda Civic azul e, aos gritos, invadiram a ourivesaria Pérola do Pinhal, no Centro Comercial Pinô, Pinhal Novo, Palmela. A empregada, que estava à porta, limitou-se a afastar-se. Durante um minuto os ladrões semearam o terror, enquanto, através do sistema de videovigilância, a proprietária assistia impotente.

23 de Setembro de 2011 às 01:00
A proprietária da ourivesaria, fechada num escritório, assistiu, em directo, a toda a acção dos ladrões nas câmaras de vigilância
A proprietária da ourivesaria, fechada num escritório, assistiu, em directo, a toda a acção dos ladrões nas câmaras de vigilância FOTO: direitos reservados

De martelo na mão, partiram montras e roubaram relógios, prata, ouro e cerca de 2000 euros. Até golpes de karaté e cotoveladas serviram para partir montras, num assalto cujas imagens de vídeo o CM teve acesso.

Os ladrões atacaram pelas 10h00 da manhã de ontem - são suspeitos de, seis horas antes, tentarem arrombar uma caixa ATM na Junta de Freguesia da Marateca - uma hora após a abertura do centro. Quem por ali circulava, apenas conseguiu desviar-se dos ladrões. "Eles vinham com a caçadeira na mão e só gritavam, nem dava para perceber o que diziam. Eu ainda me dirigi até à entrada, mas depois fugi logo", disse ao CM a empregada, que se encontrava do outro lado do corredor.

Enquanto as pessoas fugiam, Maria José Silva, de 55 anos, proprietária do espaço, limitou-se a visualizar, no escritório, através das câmaras de segurança, a acção dos ladrões. "O que estava com a caçadeira ficou mais junto à porta a controlar as pessoas, enquanto um com um martelo ia partindo as montras, roubando tudo o que era possível. Só imaginava que se alguém estivesse lá dentro podia estar agora morto. Isto não pode continuar assim".

A dimensão do prejuízo é uma incógnita. "Partiram muitas montras, temos peças espalhadas pelo chão, por isso temos de fazer um inventário", disse a proprietária.

AUTARCAS DE ALMADA PREOCUPADOS

Os autarcas de Almada manifestam-se preocupados com o crescendo da criminalidade violenta no concelho, e já pediram uma reunião com o Ministério da Administração Interna, de modo a debater o problema. Segundo José Maia, presidente da Assembleia Municipal, houve um aumento significativo, no terceiro trimestre deste ano. Entretanto, a PJ do Norte registou, desde o início do ano e até meados deste mês, 25 roubos de ouro com recurso a armas de fogo, segundo o inspector chefe Manuel dos Santos.

DISCURSO DIRECTO

"OURO É FÁCIL DE ESCOAR", Luís Baptista, Coordenador da PJ na reforma

Correio da Manhã - Quem são os ladrões de ourivesarias?

Luís Baptista - Ou são grupos especializados, altamente profissionais, por vezes estrangeiros, ou grupos sem estrutura definida, interessados apenas em fazer dinheiro fácil.

- O que potencia este tipo de roubos?

- O ouro é apetecível, pois tem elevado valor de mercado, é fácil de escoar. Muito do produto é levado para o estrangeiro, para o Leste e América do Sul.

- A Margem Sul é um dos principais alvos?

- É uma área com bairros problemáticos, com carência económico-sociais. É natural que seja uma zona activa.

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