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Correio da Manhã

Portugal
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Espancam mulher e raptam marido

Gang armado invadiu casa de madrugada, destruiu quase tudo e agrediu Carla Margarido à frente dos filhos. O marido, Isaías, foi levado sob tortura
19 de Junho de 2011 às 00:30
Casal foi atacado, de madrugada, dentro de casa. Durante todo o dia de ontem a GNR selou a rua e a Judiciária fez perícias no local do crime
Casal foi atacado, de madrugada, dentro de casa. Durante todo o dia de ontem a GNR selou a rua e a Judiciária fez perícias no local do crime FOTO: Vítor Mota

A família dormia na madrugada de ontem quando seis homens, armados com caçadeiras, invadiram a moradia em Bemposta, Alenquer. Destruíram todo o recheio da casa, e Carla Margarido, 37 anos, acabou brutalmente espancada à frente de dois dos seus quatro filhos. Continua internada em estado grave. No final raptaram-lhe o marido, Isaías Rocha – e a Judiciária está agora a trabalhar em contra-relógio para o tentar resgatar com vida.

A investigação da Unidade Nacional de Contra-Terrorismo da PJ aponta para ajuste de contas – os investigadores passavam ontem a pente-fino a vida de Isaías para apurar quem o levou e porquê. Só assim será possível descobrir onde o brasileiro, com cerca de 37 anos, está retido em cativeiro. Até agora, sabe-se que negoceia em automóveis usados. Alguns estão parados à porta de casa.

A mulher, Carla, foi primeiro transportada para o hospital de Vila Franca de Xira e depois transferida para São José, em Lisboa. Terá de ser submetida a uma cirurgia ao maxilar.

Carla vive com dois dos quatro filhos, um de 10 anos e outro de 19. O casal não tem filhos em comum, mas Isaías também tem uma filha.

Ontem, pelas 05h00, Ana Silva, 44 anos, acordou em sobressalto com o pequeno Daniel a bater-lhe à porta e a gritar: "Por favor, ligue para o INEM que a minha mãe está cheia de sangue", pediu a criança de dez anos. "Quando o menino se acalmou um pouco, contou que tinham entrado uns homens em casa que destruíram tudo, incluindo os telemóveis", conta ao CM a vizinha.

O casal vive ali há quatro anos, numa casa alugada. "Desde que eles vieram para aqui que é um entra e sai constante de gente", diz António Silva, 77 anos, que vive em frente. "Ontem ouvi os barulhos e percebi que era um assalto. Nem fui ver, só desejei que não batessem à minha porta", desabafa António. "Ainda vi a Carla com a cara muito mal tratada e disseram que o Isaías tinha sido levado", diz Ana Silva.

 

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