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Espermatozóides fervem com portátil

O uso incorrecto do portátil pode transformá-lo num inimigo do homem. Trabalhar sentado com as pernas juntas e o computador encostado à barriga aumenta a temperatura das bolsas escrotais, podendo alterar o esperma e colocar em risco a fertilidade a longo prazo, revelam cientistas da universidade de Nova Iorque, em Stony Brook.

10 de dezembro de 2004 às 00:00

A equipa de investigadores liderada por Yefim Sheynkin concluiu que um aumento da temperatura do escroto 2,6 graus Celsius à esquerda e 2,8 à direita é perigosa. Após ter estudado 29 voluntários saudáveis de 21 a 35 anos, os especialistas norte-americanos em urologia aconselham agora adolescentes e jovens a limitarem o tempo que passam com o computador sobre os joelhos, para evitarem potenciais riscos sobre a sua fertilidade.

A concentração de esperma pode diminuir em 40 por cento a cada grau que a temperatura diária média aumenta nos testículos, afirmam os investigadores. “Basta estar um quarto de hora com o computador ao colo para que a temperatura do escroto aumente um grau”, acrescentaram. “Utilizados durante anos, os portáteis produzem hipertermias significativas transitórias e repetitivas nos testículos. E um tempo de recuperação insuficiente entre as exposições ao calor pode ocasionar mudanças irreversíveis ou apenas parcialmente reversíveis sobre a função reprodutora masculina”, referiu Yefim Sheynkin, à revista europeia ‘Human Reproduction’.

O presidente da Sociedade Portuguesa de Urologia, Manuel Mendes da Silva, acolhe com algumas reservas este trabalho científico. “Efectivamente o aumento da temperatura altera a formação de esperma”, reconheceu o especialista. “Contudo, não está cientificamente provado que determinadas profissões como a de fogueiro ou de padeiro, que diariamente trabalham em ambientes com temperaturas mais elevadas, possam ser prejudiciais”, sustentou.

O urologista protuguês desvalorizou ainda o estudo por incidir sobre um número pequeno (29) de homens que se submeteram a testes. “Seriam necessárias umas centenas de homens”, precisou.

“Até 2005, 60 milhões de portáteis estarão a funcionar nos EUA e 150 milhões no Mundo”, observou Sheynkin. O cientista defende a necessidade de alertar os jovens para os perigos da sua utilização.

Entre 15 a 20 por cento dos casais que pretendem constituir família não o conseguem. A infertilidade masculina é a causa de 33 por cento desses casos.

ALIMENTOS PERIGOSOS

Ingestão de alimentos com substâncias químicas é uma das causas para a redução de espermatozóides.

BANHOS QUENTES

Banhos quentes, saunas e calças apertadas aumentam a temperatura dos testículos e podem ter efeitos negativos.

TELEMÓVEIS

Um estudo da universidade de Szeged (Hungria) feito a 200 homens, concluiu que as radiações dos telemóveis reduzem em 1/3 os espermatozóides.

FRALDA DESCARTÁVEL

As fraldas cobertas de plástico prejudicam o desenvolvimento testicular, revelou um estudo da universidade de Kiel, Alemanha.

ESPERMATOZÓIDES

O Centro de Fertilidade de Aberdeen recolheu 16 mil amostras de sémen de 7,5 mil homens. A contagem de espermatozóides caíu de 87 milhões por mililitro de esperma em 1989 para 62 milhões em 2002.

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