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Esquema de criptoativos rende dois milhões de euros a burlonas

Mulheres, de 51 e 52 anos, foram detidas pela PJ do Porto. Enganaram, pelo menos, 50 pessoas com falsos investimentos.

26 de fevereiro de 2026 às 01:30

Conheciam as vítimas através do Facebook onde anunciavam formas de ganhar dinheiro fácil em criptoativos. Com o crescimento das 'bitcoins' (dinheiro virtual) as pessoas davam os dados pessoais para conseguirem duplicar ou triplicar o dinheiro investido. Após serem contactados pelos anunciantes faziam investimentos reduzidos - 200 ou 300 euros. Criavam depois uma carteira virtual falsa, convencendo as vítimas de que tudo era fidedigno. Em poucos dias os 200 euros transformavam-se em 500 e, após mais investimento, as quantias multiplicavam-se.

Duas das burlonas, que farão parte de uma rede altamente organizada e complexa, foram agora detidas pela Polícia Judiciária do Porto. Têm 51 e 52 anos, não se conhecem, mas atuavam da mesma forma. No espaço de dois anos conseguiram lucros na ordem dos 2 milhões de euros - milhão e meio num caso e mais de 500 mil euros, no outro. Enganaram, pelo menos, 50 pessoas. Estão indiciadas de burla qualificada e branqueamento. Residem em Avintes, Vila Nova de Gaia, e em Valongo.

A forma de atuar das burlonas era sempre igual. Após convencerem as pessoas de que tudo era fidedigno, e depois do primeiro investimento, começavam a ligar-lhes insistentemente - e a quem era até mostrado um site, aparentemente verdadeiro, e até associado a algumas marcas lícitas - mas que na verdade era totalmente falso. Chegavam até a oferecer-lhes um 'pacote primium': quanto mais investirem mais ganham. 

Alguns dos clientes, satisfeitos com o investimento, até lhes chegaram a ceder o acesso às contas bancárias, para os investimentos. Só perceberam que algo não estava bem quando pediam para usufruir de parte do dinheiro. Os burlões indicam, nessa altura, que apenas o poderão fazer pagando uma taxa. Alguns pagam, mas é tudo uma bola de neve. Quanto mais investem ou pagam, mais perdem. É nesta altura que percebem que perderam tudo e denunciam o crime às autoridades.

As duas mulheres não têm nenhuma profissão conhecida e dedicavam-se apenas ao crime, uma vez que ganhavam dinheiro com o engano e sem grande esforço. Com o dinheiro, as burlonas faziam face a despesas do dia a dia. Chegaram até a abrir contas bancárias em nome dos filhos para encaminharem o dinheiro - algumas das quais fora de Portugal. Uma das mulheres burlou pelo menos 19 pessoas, já a outra fez 31 vítimas. As arguidas vão ser presentes a um juiz. 

O Banco de Portugal tem feito, nos últimos tempos, várias campanhas para alertar para os perigos deste género de investimentos. As queixas de situações semelhantes são praticamente diárias.

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