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Correio da Manhã

Portugal
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Está muito deformado

Os dois técnicos auxiliares de montagem de postes que na terça-feira foram electrocutados num acidente em Paredes continuavam ontem à noite internados em estado de coma na Unidade de Queimados dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC).
11 de Outubro de 2007 às 00:00
Familiares dos feridos nos HUC. Alecsandro (primeira foto pequena) é um dos internados. Nuno Páscoa e José Rodrigues faleceram
Familiares dos feridos nos HUC. Alecsandro (primeira foto pequena) é um dos internados. Nuno Páscoa e José Rodrigues faleceram FOTO: Raul Cardoso
Alecsandro José Alexandre e Fernando Franco, de 29 e 24 anos, são os feridos mais graves causados pelo acidente, que fez ainda outro ferido e matou dois trabalhadores, residentes em Soure.
A brasileira Danyany Alexandre, mulher de Alecsandro, foi informada pelos HUC de que as hipóteses do marido sobreviver seriam “mínimas”. O técnico auxiliar, pai de três crianças, com nove, seis anos e 14 meses, “está todo queimado, muito inchado e deformado, ligado a aparelhos por todo o corpo”, diz a mulher. O imigrante trabalhava há oito meses na empresa Átomo Verde, em Marinha das Ondas, na Figueira da Foz.
Os familiares de Fernando Franco, que passaram o dia nos HUC, mostraram-se bastante abalados com a tragédia e escusaram-se a falar sobre o estado da vítima. Segundo fonte hospitalar, ambos “continuam em estado grave, com prognóstico reservado”. Têm queimaduras de 2.º e 3.º graus em 50% do corpo.
Quanto a Geison Alves de Lima, de 28 anos, o terceiro ferido, embora com menor gravidade, está internado e em recuperação no Hospital de São João no Porto. O acidente aconteceu quando uma equipa de dez elementos montava um poste de alta tensão. No momento em que uma cintura (um ferro com 12 metros de comprimento) era levantada na vertical, a corrente das linhas aéreas, com 220 kV, puxou-a, causando a descarga eléctrica. A energia atingiu um círculo de terreno com 25 metros de diâmetro, mantendo-se activa durante cinco minutos.
Alguns trabalhadores fugiram e gritaram para avisar os restantes, mas a violência da electricidade provocou a morte quase imediata a dois operários, naturais de Moinho de Almoxarife, em Soure.
Sérgio Rainho, auxiliar da Energifoz na montagem de postes, conseguiu fugir com quatro colegas. Serviu-se dos conhecimentos como bombeiro voluntário, entrou no círculo de corrente com um colega e ajudou outros três, mesmo sentido “duas cacetadas” vindas do chão.
O bombeiro adiantou que os operários estavam equipados com capacete, luvas e botas, como mandam as normas de segurança. As causas do acidente estão a ser investigadas. Os funerais das vítimas realizam-se hoje.
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