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Correio da Manhã

Portugal
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“Está tudo a arder. Tenho medo”

Com os termómetros a rondarem os 30 graus, viveram-se ontem momentos de aflição em Sintra e Pombal, com dois incêndios de grandes proporções a ameaçarem casas e moradores. "Está tudo a arder. Tenho medo que chegue a minha casa. Mangueiras e outro material do nosso terreno estão destruídos", dizia desesperada Fátima Rodrigues, de 43 anos, residente em Albogas, Sintra.
2 de Outubro de 2011 às 01:00
Moradores ajudaram a apagar incêndio que se aproximou das suas casas e terrenos
Moradores ajudaram a apagar incêndio que se aproximou das suas casas e terrenos FOTO: Diogo Pinto

As chamas, que devoravam mato e se aproximavam perigosamente de várias habitações, não fizeram feridos, mas acabaram por consumir uma grande zona de floresta, um palheiro e uma estufa.

As causas do incêndio estão ainda por apurar, mas, em Sintra, a hipótese de fogo posto é assegurada por moradores. Ao que o CM apurou junto dos habitantes de Albogas, o motorista e passageiros de um autocarro que passava na estrada onde o fogo começou viram dois rapazes a atearem fogo ao mato. "Desapareceram rapidamente nas suas motas quando notaram que tinham sido vistos", contou uma testemunha ao CM.

O fogo teve início cerca das 13h47 e ajudado pelo vento e o calor – os termómetros chegaram aos 29 graus em Sintra – rapidamente se alastrou pelo mato onde se situam moradias e terrenos agrícolas. "Temos de ajudar a combater as chamas ou isto arde tudo. Se não fosse eu, as ovelhas tinham morrido", mostrou ao CM Paulo Bento, 40 anos, outro morador da zona, enquanto apontava para o terreno da vizinha Fátima, que tinha ajudado a preservar.

Vários foram os habitantes de Albogas, em Sintra – cujas casas ou a de familiares e amigos estavam demasiado perto das chamas – que tentaram ajudar as 32 corporações de bombeiros a cortar as duas frentes do incêndio. O fogo foi dado como dominado às 18h40.

Pelo caminho, o fogo queimou completamente um palheiro e uma estufa. A investigação passa agora para a alçada da Polícia Judiciária.

"OS BOMBEIROS DEMORARAM MUITO A CHEGAR"

"Não houve organização entre as corporações. Os bombeiros demoraram muito tempo a chegar. Nunca sabem se esta zona pertence a Belas ou Loures", revelou, revoltado, Tiago Neves, de 28 anos, um dos tantos habitantes que tentou ajudar ontem os bombeiros a combater as chamas em Albogas, no concelho de Sintra. 

"FICÁMOS CERCADOS PELO FOGO EM SEGUNDOS"

As chamas ameaçaram ontem várias casas em Roques, Pombal, entraram pelos quintais e espalharam o pânico entre a população. "Foi assustador. Ficámos cercados pelo fogo em segundos", conta Lucília Gomes, 61 anos, que perdeu um depósito de lenha.

O fogo deflagrou a dois quilómetros da aldeia, mas chegou ao centro "num abrir e fechar de olhos", acrescenta António Lopes, 60 anos, ao garantir que nunca viu nada semelhante. As chamas destruíram culturas agrícolas no centro da povoação e quintais. "Fiquei sem uma couve para comer", lamenta Lucília Gomes. De lágrimas nos olhos, Albertina Pereira, 73 anos, diz nunca ter vivido uma aflição tão grande. O filho perdeu as estufas de alface, pepino e tomate e a sua vizinha viu as chamas saltarem para o telhado de um anexo. Vítor Nunes, de 50 anos, diz que as chamas só não entraram na sua casa "por milagre" depois de destruírem o quintal. O vento é apontado por José Costa, comandante dos Bombeiros de Pombal, como responsável pela projecção das chamas.

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