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Correio da Manhã

Portugal
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ESTACIONAMENTO POLÉMICO NO AEROPORTO DE FARO

Os operadores turísticos algarvios estão contra o pagamento de taxas de estacionamento e permanência aplicadas às viaturas de transporte de passageiros que utilizam o Aeroporto de Faro.
24 de Fevereiro de 2003 às 01:51
Poucos autocarros utilizam o estacionamento
Poucos autocarros utilizam o estacionamento FOTO: Ana Isabel Coelho
Para o delegado regional da Associação Portuguesa de Agências de Viagens e Turismo (APAVT), Carlos Luís, a medida, em vigor desde o início deste mês, pretende apenas engordar os cofres da ANA (Aeroportos e Navegação Aérea) e prejudica seriamente a actividade já que aumenta os encargos financeiros das empresas.

A questão é, no entanto, desdramatizada pelo director do Aeroporto de Faro, Correia Mendes, para quem os valores em causa não justificam a resistência demonstrada pelos operadores: "Os custos são de 50 cêntimos por cada meia hora e se tivermos em conta que os autocarros demoram cerca de 15 minutos a recolher as pessoas, não será com esta medida que irão engordar o mealheiro da ANA", contesta o responsável, que adverte: “A ANA não pretende a alterar a sua política".

Os homens do turismo algarvio alegam falta de capacidade financeira para suportar a nova medida, pelo que procuram alternativas ao pagamento das taxas.

Para já, a solução encontrada pelos operadores desde o início do mês, foi a de abandonar o parque de estacionamento e fazer circular os autocarros pelo recinto do aeroporto enquanto aguardam que os clientes se libertem das formalidades de desembarque.

"Temos necessidade de um espaço, não pago, para estacionar as viaturas durante um mínimo de duas horas", defende Carlos Luís, que admite a inviabilidade da solução entretanto adoptada.

"Por enquanto a situação ainda é controlável mas, a partir de Abril, quando chegam a estar dez autocarros à espera de passageiros, o trânsito atingirá o caos", refere Carlos Luís.

EVITAR ABUSOS

Correia Mendes concorda, mas defende que até lá será encontrada uma solução. No entanto, refere, a gratuitidade dos parques já não se coloca, sobretudo para evitar a sua utilização abusiva: "No Inverno, víamos pessoas a lavarem os autocarros aqui no parque", revela o director do Aeroporto de Faro, que contesta ainda o facto dos autocarros trazerem passageiros para os aviões e depois ficarem à espera dos clientes que chegam nos voos seguintes.

"Se o check-in demora cerca de duas horas, o autocarro acaba por ficar parado entre duas a três horas, o que congestiona o espaço", salienta.
A situação que se vive no Aeroporto de Faro já foi comunicada ao Secretário de Estado do Turismo pela APAVT.

‘DESAJUSTADA’

A Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA) contesta a medida aplicada no Aeroporto de Faro. De acordo com o dirigente Elidérico Viegas, a atitude da ANA não tem justificação e é "desajustada das realidades e exigências actuais dos mercados aéreo e turístico". Esta atitude, considera a AHETA, só pode ser entendida como "uma forma de 'engordar' a ANA à custa da rentabilidade do aeroporto algarvio”.
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