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Correio da Manhã

Portugal
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Estamos num gueto

Os moradores na urbanização Duas Sentinelas, um aglomerado de cerca de uma centena de habitações, com meio milhar de pessoas, estão revoltadas com a falta de resposta das autoridades ao seu protesto pela construção da variante Loulé/Quarteira que os deixou acessibilidades deficientes.
3 de Setembro de 2007 às 00:00
Moradores estão revoltados com a falta de sensibilidade das autoridades
Moradores estão revoltados com a falta de sensibilidade das autoridades FOTO: Sandra Sousa Santos
A obra, há muito reclamada, por ter contribuído para o descongestionamento do trânsito na Estrada Nacional 125, junto às Quatro Estradas, mas que, por ter esquecido as populações lá residentes, está a suscitar muitas críticas.
“Estamos num autêntico gueto, pois cortaram-nos o principal acesso à urbanização”, protesta António Moreira, um dos moradores no local.
O facto de o projecto elaborado por Estradas de Portugal não ter previsto uma rotunda no local, tendo optado por um traço contínuo que obriga os automobilistas a percorrer mais cerca de 500 metros até ao desvio para o Aquashow.
“O problema é que o trânsito junto ao parque aquático, principalmente no Verão, é caótico, com centenas de veículos a quererem entrar na estrada principal, o que se torna complicado e perigoso”, explica António Moreira, que diz não perceber “a má vontade das autoridades” para com esta urbanização, que continua à espera que o saneamento básico lá chegue, apesar de lá morarem dois irmãos do presidente Cavaco Silva.
PARAGEM DESACTIVADA
A nova via também ocasionou a desactivação da paragem de autocarros que servia os moradores da urbanização.
“Não previram uma escapatória para os autocarros, pelo que os veículos, graças à boa vontade dos motoristas, que acedem aos pedidos dos utentes, ainda vão parando no antigo local, no meio da via, mas causando longos engarrafamentos”, garante Nélia Inácio, outra das moradores na urbanização.
Com o início da escola à porta, os encarregados de educação de cerca de meia centena de miúdos que, diariamente, utiliza os autocarros, temem que os motoristas deixem de infringir a lei e se recusem a parar no local.
“Além disso, retiraram o apoio coberto da antiga paragem, pelo que as crianças terão de aguardar os autocarros, sem saber se irão ou não parar, à chuva e ao frio”, queixa-se Inácio Coelho, outro dos moradores, ‘porta-voz’ do descontentamento geral.
JUSITIFICAÇÕES
CÂMARA DE LOULÉ
Seruca Emídio, presidente da Câmara de Loulé, disse ao CM, “não estar prevista nenhuma rotunda no local”. O autarca lembra que o excesso de movimento “é sazonal”, mas afirma-se disponível para estudar com Estradas de Portugal o problema da paragem de autocarros.
ESTRADAS DE PORTUGAL
Estradas de Portugal afirma que, “em colaboração com a Câmara de Loulé, já tem planeada a colocação de uma paragem de autocarros próximo do local da anterior”. Paula Ramos Chaves, de EP, garante que “essa colocação deverá ocorrer a curto prazo”.
PROTESTO
Os moradores, que também se sentem prejudicados pela nova estrada, na EN125, efectuaram várias manifestações. Foi-lhes dada a garantia, pelo Ministério das Obras Públicas, que vai ser construída uma passagem aérea no local.
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