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Correio da Manhã

Portugal
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Estava a ser julgado e continuava a assaltar

'Neca Preto', um dos elementos do gang de Valbom, condenado a oito anos de cadeia em Julho passado, nunca terá deixado o mundo do crime.
22 de Agosto de 2010 às 00:30
‘Neca Preto’  foi ontem ouvido no tribunal. Família esperava à porta para o ver
‘Neca Preto’ foi ontem ouvido no tribunal. Família esperava à porta para o ver FOTO: Diogo Pinto

Mesmo durante o julgamento – altura em que permaneceu em liberdade e se manteve naquela situação por ter interposto recurso –, o jovem terá continuado a sua actividade delituosa. Ontem, ao princípio da noite, aguardava no Tribunal de Instrução Criminal a aplicação de medidas de coacção, depois de ter sido apanhado após um assalto armado a um funcionário dos CTT. A pena a que for condenado por este crime soma-se à já aplicada no processo de Valbom e às restantes que ainda não chegaram a julgamento (ver caixa).

Neste caso, a prova reunida pelos investigadores era contundente. Antes dos assaltos, ‘Neca Preto’ combinou tudo ao telefone com os comparsas. Seguiram depois para os CTT de Campanhã, não se apercebendo da presença da Judiciária. O assalto foi filmado e fotografado e as autoridades optaram por não intervir devido aos inúmeros transeuntes que havia no local.

Após o roubo – levaram 35 mil euros depois de o envelope em que o funcionário transportava o dinheiro se ter rasgado –, seguiram para Oliveira do Douro, em Vila Nova de Gaia. Faziam-se transportar num Mercedes que dias antes tinham roubado por carjacking a uma empresária, mas optaram por trocar de carro, não fosse aquele estar referenciado pela PJ.

Já ao volante de um Audi, em Gaia, o grupo foi barrado pela PJ. ‘Neca Preto’ tentou fugir e ‘Xibanga’, outro dos assaltantes, ainda puxou de arma. Foi demasiado lento e acabou baleado no braço. O terceiro elemento, um segurança de apelido Onofre, também foi apanhado.

FOI OUVIDO PELO MAGISTRADO NO HOSPITAL

‘Neca Preto’ e Onofre foram levados ao Tribunal de Instrução Criminal do Porto, pelas 09h30. No entanto, porque ‘Xibanga’ se mantinha internado e porque o médico se recusava a dar-lhe alta, o magistrado de turno acabou por ser obrigado a deslocar-se à unidade hospitalar. Pelas 21h00, o juiz ainda estava no hospital a ouvir o suspeito. Até ao fecho de edição, ainda não eram conhecidas as medidas de coacção.

AINDA HÁ OUTROS PROCESSOS EM INVESTIGAÇÃO

O grupo conhecido como gang de Valbom, julgado recentemente por diversos assaltos, ainda tem outros processos pendentes. Trata--se de factos já investigados, mas que a juíza entendeu mandar novamente para inquérito, porque a acusação estaria mal estruturada. Já na fase final do julgamento, a magistrada que presidia às sessões também alterou a qualificação jurídica de algumas situações, o que levou a que, nessas partes, o processo tivesse novas acusações.

O CM sabe que ainda há, pelo menos, mais um inquérito na Judiciária do Porto visando ‘Neca Preto’. O crime em causa é sempre idêntico: assaltos violentos.

‘Xibanga’ também foi investigado por pertencer ao gang de Valbom, mas nunca foi acusado.

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