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Correio da Manhã

Portugal
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ESTOU DESESPERADO

O sócio-gerente de um restaurante da Rua da Madalena, em Lisboa, foi obrigado pela autarquia alfacinha a abandonar o seu estabelecimento, que foi encerrado indefinidamente, também por ordem camarária.
25 de Janeiro de 2003 às 00:00
O comerciante diz-se “desesperado”, garantindo que não tem sítio para reinstalar o estabelecimento, vendo- -se forçado a mandar os sete funcionários para o desemprego.

Co-proprietário, há mais de 20 anos, do restaurante ‘Trevo da Madalena’, David Castro não consegue perdoar a “prepotência” da Câmara em todo este processo. Único ocupante, até ao princípio da noite de quinta-feira, do prédio n.º 62 da Rua da Madalena, o comerciante diz não aceitar as justificações da autarquia presidida por Santana Lopes, que recorreu a razões de segurança para ordenar a evacuação total do imóvel.

As origens do problema remontam a 1995, ano em que um violento incêndio deixou bastante danificado o prédio em questão, que teve de ser evacuado na sua quase totalidade. O único a continuar no prédio foi David Castro, que manteve em funcionamento o restaurante de que é um dos proprietários.

Mais de sete anos passaram, “sem que a Câmara avançasse com uma proposta de reparação do prédio”, garantiu o comerciante, que foi “surpreendido”, anteontem, pela presença de agentes da Polícia Municipal, que fizeram cumprir uma ordem camarária de despejo coercivo, que na prática o deixa, a ele e a sete funcionários, “sem sítio para onde ir”.

Contactada pelo CM, fonte do gabinete de Pedro Santana Lopes garantiu que este despejo se insere “num projecto maior de recuperação de toda a zona histórica de Lisboa, que avançará a curto prazo”. “No caso da Rua da Madalena, já foram constituídas equipas de fiscalização, que avaliarão as condições de segurança dos prédios”, referiu.
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