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Correio da Manhã

Portugal
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"Estou para descobrir como ele apareceu com o furo nas costas"

O fotógrafo de Viseu acusado de ter esfaqueado um aluno nas imediações da Escola Secundária Emídio Navarro com uma navalha tipo borboleta, há cerca de dois anos, negou esta segunda-feira que tivesse intenção de matar o jovem.
8 de Fevereiro de 2011 às 15:33
Fábio Melo acusa fotógrafo de o ter esfaqueado nas imediações da Escola Secundária Emídio Navarro
Fábio Melo acusa fotógrafo de o ter esfaqueado nas imediações da Escola Secundária Emídio Navarro FOTO: Nuno André Ferreira

Carlos Cunha é acusado de um crime de tentativa de homicídio e de outro de posse de arma proibida, considerando a acusação que só não conseguiu matar o jovem, Fábio Melo, "por circunstâncias alheias à sua vontade".  

O Hospital de S. Teotónio, onde o jovem foi assistido devido a um golpe nas costas, pede uma indemnização civil de 673 euros e o jovem outra de 30 200 euros (mais juros).  

Na primeira sessão do julgamento, Carlos Cunha começou por dizer que se sentia ofendido pela acusação que lhe foi feita, garantindo ter "o maior respeito pela vida humana".  

Contou que no dia 16 de Janeiro de 2009 se deslocou à escola para combinar com a associação de estudantes fazer as fotografias do baile de finalistas e que, durante a reunião, aproveitou para lamentar que a sua esposa, professora naquele estabelecimento de ensino, andasse a ser incomodada por alunos de uma turma.  

Pediu-lhes que chamassem a atenção dos colegas para deixarem de chatear a mulher e de estragarem os seus carros, uma vez que os três "estavam todos riscados e pontapeados", e disse que estava a equacionar apresentar queixa na PSP.  

Segundo o arguido, foi quando já ia a sair da escola, na companhia de elementos da associação de estudantes, que estes lhe apontaram Fábio Melo como sendo um dos jovens da turma em questão.  

"Disse-lhe que tinha uma coisa para lhe mostrar e pedi para me acompanhar ao carro, que estava ao pé do café Teatro", contou, acrescentando que era sua intenção confrontá-lo com os estragos na viatura.  

Acrescentou que foi perante a resposta do jovem de que não tinha sido ele nem os colegas a fazerem os estragos e que "nem sequer eram riscos de faca", que decidiu tirar a navalha tipo borboleta que trazia no carro para fazer com ela um risco e compará-lo aos já existentes.  

"Ele começou a gozar comigo, estava um (agente da) PSP em cima e eu disse-lhe que o levava lá. E ele atirou-se a mim", relatou, acrescentando que depois de alguns murros e pontapés Fábio Melo se afastou e que quando já estava a apanhar os documentos e o telemóvel que tinham caído é que uma rapariga o foi informar de que o jovem "estava aflito e precisava de ajuda". 
 
Carlos Cunha garantiu que tentou arranjar socorro para o jovem junto de agentes da PSP e da escola e que só soube da perfuração nas costas quando já estava nas instalações das autoridades.  
 
"Eu ainda hoje estou para descobrir como é que ele apareceu com o furo (nas costas)", afirmou.  

A presidente do colectivo de juízos considerou que o depoimento teve várias contradições relativamente ao primeiro interrogatório, nomeadamente no que respeita à forma como a navalha foi parar dentro de uma das botas que o arguido calçava e também se ela estava aberta ou fechada na altura em que se envolveram em confrontos.  

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