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Correio da Manhã

Portugal
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Estragos na Caparica

Vagas de sete metros provocaram ontem a destruição da fachada de um restaurante-bar na Costa de Caparica, concelho de Almada. A força do mar galgou o paredão e embateu violentamente sobre o bar Marcelino (antigo Tsunami). As vagas gigantes derrubaram a porta de entrada, partiram os vidros e causaram o caos dentro do estabelecimento. Com a força do mar, baldes do lixo, cadeiras e mesas foram projectados a várias dezenas de metros.
5 de Janeiro de 2008 às 00:00
O gerente do bar, Mário Gonçalves, justifica os estragos com as obras de enchimento de areia da costa. “Esta foi a praia que levou menos areia no processo de enchimento e é uma zona onde todos os anos o mar ameaça fazer estragos”, disse.
O presidente da Junta de Freguesia local, António Neves, disse que a destruição do bar foi repentina, pois por volta das 00h00 passou pelo local e, apesar da agitação, não havia estragos. Contudo, meia hora mais tarde, no regresso, o bar Marcelino tinha já a fachada destruída.
Embora as previsões meteorológicas indiquem uma redução da ondulação a população permanece em sobressalto. Fernando Sobral, dono de um restaurante próximo do local onde no ano passado foi derrubado o Búzio, disse ao CM que está preocupado com o novo recuo do areal. O empresário de restauração disse que uma parte importante da areia foi já “comida” pelas ondas. “O mar está novamente junto à minha esplanada”, referiu. A água do mar galgou também as obras de requalificação do litoral e alagou várias estruturas que estão a ser construídas. Junto ao Marcelino, um poste eléctrico ficou inclinado devido à força do mar, sendo necessária a sua reparação.
Ao início da noite de ontem, o Instituto de Meteorologia mantinha em alerta laranja – o segundo mais grave – toda a costa do Continente e da ilha da Madeira, face a ondas capazes de atingirem sete metros. A forte ondulação obrigou ao encerramento de todas as barras, à excepção do Porto de Leixões, a norte da Figueira da Foz, informou fonte da Marinha.
A exemplo do ano passado, 2008 poderá ser um dos anos recentes mais frios. Especialistas do serviço meteorológico britânico e da Universidade de East Anglia revelam que a nível mundial será desde 2000 o ano mais frio. A explicação para este arrefecimento resulta do fenómeno climático ‘La Niña’. Recorde-se que embora 2007 tenha sido o sétimo ano mais quente de sempre a nível mundial, Portugal teve o Verão mais frio das últimas duas décadas.
Phil Jones, director do serviço meteorológico britânico, sublinha que “o facto de 2008 ser, segundo as previsões, o menos quente dos últimos sete anos não significa que o aquecimento global deixou de ser um problema”.
O fenómeno atmosférico ‘La Niña’, localizado no Pacífico, reduz a temperatura da superfície do mar em cerca de 0,5 graus. Este ano será mais forte do que o ‘El ’, que provoca o efeito contrário e fez de 1998 o ano mais quente de sempre.
ESMORIZ E VAGUEIRA SEM INUNDAÇÕES
A forte ondulação que se tem feito sentir e que na costa Norte e Centro atingiu ontem sete a nove metros, não está para já a destruir as barreiras físicas levantadas para salvaguardar as casas nas frentes ribeirinhas de Esmoriz e Vagueira, no distrito de Aveiro. Segundo fonte da Protecção Civil, “a língua de areia que separa a barrinha de Esmoriz do mar foi retirada por máquinas, para evitar inundações, o que foi conseguido”. O comandante Alves Salgado, da Capitania de Aveiro, adianta que na Vagueira “as ondas, apesar de grandes, estão a quebrar na areia e ainda não chegaram a ameaçar a barreira de pedra”.
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