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Correio da Manhã

Portugal
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ESTRANGEIROS LEVAM OS NOSSOS DINOSSAUROS

A falta de sensibilidade e apoio das entidades oficiais para o património paleontológico nacional deixa o caminho aberto a investigadores estrangeiros, que fazem escavações em Portugal e levam os achados para os seus países, sem dar conhecimento à comunidade científica portuguesa, disse ontem ao Correio da Manhã o director do Museu Nacional de História Nacional (MNHN), Galopim de Carvalho.
19 de Junho de 2002 às 00:45
Segundo o responsável, que falava na Batalha, as recentes descobertas de fósseis e pegadas de dinossauros em território nacional têm dado visibilidade internacional ao País, enquanto local rico no domínio da paleontologia, mas a falta de apoio do poder central para a preservação deste património acaba por ser aproveitada pelos estrangeiros.


"Ainda continuamos a ser surpreendidos por grupos de investigadores estrangeiros que vêm fazer escavações, descobrem coisas e não dizem nada a ninguém", afirma Galopim de Carvalho, lamentando apenas saber destes trabalhos através de artigos publicados em revistas científicas.


Para exemplificar estas afirmações, o paleontólogo refere o caso das minas de carvão da Guimarota, em Leiria, onde um grupo de alemães encontrou "ossos de mamíferos primitivos", que levou para a Universidade de Berlim. Apesar das várias tentativas para recuperar os achados e transformar o espaço em museu, a falta de apoios institucionais fez "morrer" o projecto.


Mais seguros estão os vestígios de dinossauros desenterrados na Batalha, através de uma campanha de escavações que está a decorrer na localidade de Casal Novo, com o patrocínio da Câmara Municipal.


A equipa, liderada por Pedro Dantas, do MNHN, e Francisco Ortega, da Universidade Autónoma de Madrid, está a explorar uma jazida incorporada no período Jurássico Superior (150 milhões de anos) e recolheu já "muitos ossos de dinossáurios Terópodes, alguns ossos de dinossáurios Saurópodes e de Stegossáurios".


Os achados estão em estudo no Laboratório de História Natural da Batalha, criado pela autarquia ao abrigo de um protocolo com o MNHN, devendo depois ser encaminhados para um núcleo museológico em criação no centro da vila da Batalha.


A aposta da autarquia liderada por António Lucas nestas investigações merece o aplauso de Galopim de Carvalho, pois só assim é possível "tirar da terra estes arquivos que vão construindo a história da nossa existência".
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