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Estrangeiros recusam sair de paraíso privado na ria Formosa

Recovo tornou-se cemitério de barcos nos últimos 20 anos.

25 de janeiro de 2016 às 10:06

Durante mais de 20 anos, o recovo da ilha da Culatra foi-se tornando uma espécie de cemitério de barcos. Desde fevereiro de 2015, o espaço - inserido em zona protegida - foi alvo de uma limpeza a fundo: mais de 80 embarcações e 300 toneladas de lixo foram retiradas do local."Toda a gente sabe que estou aqui há 20 e tal anos e sinto-me em casa. Não faz sentido quererem que saia agora", defendeu, ao CM, o alemão, que já interpôs duas providências cautelares e admite ainda recorrer ao Tribunal Europeu.

Porém, vários proprietários de embarcações, todos estrangeiros, recusam-se a sair do local - onde alguns construíram cabanas ou estruturas onde pernoitam - e já recorreram aos tribunais.

"Há 30 anos que o recovo se vinha a degradar porque, além de alguns pescadores, era usado por pessoas que tinham barcos de outros locais e que, por não pagarem nada, os iam deixando ali", explica ao CM Rui Conceição, da Associação de Moradores da ilha da Culatra.

A degradação do espaço arrastou-se até fevereiro do ano passado, quando, coordenados pela Capitania do Porto de Olhão, os meios da Sociedade Polis Ria Formosa avançaram para uma limpeza do local.

A maioria dos notificados acabou por retirar as embarcações ali ancoradas. Porém, segundo Nunes Ferreira, comandante do Porto de Olhão, alguns recusam sair do local - classificado como zona de proteção especial - apesar de não pagarem qualquer tipo de impostos.

É o caso de Jan Streich, um alemão de 82 anos que foi dos primeiros a chegar e ancorar uma embarcação no recovo. Há cerca de 30 anos, foi também construindo e decorando uma casa improvisada, com recurso a madeira e materiais da ria, a que chamou ‘Molin Rouge II’, e onde diz passar cerca de seis meses por ano.

"Toda a gente sabe que estou aqui há 20 e tal anos e sinto-me em casa. Não faz sentido quererem que saia agora", defendeu, ao CM, o alemão, que já interpôs duas providências cautelares e admite ainda recorrer ao Tribunal Europeu.

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