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Correio da Manhã

Portugal
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Estrangulou a mulher e fugiu para Espanha

Já passaram oito anos, mas os habitantes da localidade de Outeiro de Gatos, concelho de Mêda, Guarda, não esqueceram o crime. Era dia da feira anual quando João Abrunhosa telefonou para o café local e lançou a confissão: “Matei a minha mulher. Vão buscá-la a casa”.
2 de Junho de 2006 às 00:00
Estrangulou a mulher e fugiu para Espanha
Estrangulou a mulher e fugiu para Espanha FOTO: Ricardo Cabral
Desde esse dia, nunca mais niguém soube dele. Na última terça-feira, o homicida foi detido em Espanha, suspeito de maus tratos à actual companheira. A Guardia Civil vai entregá-lo à PJ.
Naquele dia, 19 de Março de 1998, pela tarde, os militares da GNR de Mêda receberam a denúncia do proprietário do café mas ainda pensaram tratar-se de brincadeira. Quando chegaram à pequena casa do casal, depararam-se com um cenário de horror: Donzília Pereira tinha sido estrangulada pelo marido e o seu corpo apresentava sinais de agressões violentas.
Quem os conheceu, enquanto casal, não ficou surpreendido pela notícia. “Andavam sempre a discutir. E ele, além de a agredir, dizia muitas vezes que a matava. Para agravar, estava frequentemente embriagado”, disse ao CM uma moradora de Outeiro de Gatos que pediu para não ser identificada.
O filho mais novo do casal, um menino de cinco anos, fora entregue a uma casa de acolhimento na Guarda. Os outros, já maiores, “seguiram a sua vida”. Dois deles, acrescentou a mesma fonte, emigraram para Espanha. “Tenho quase a certeza que foram para perto dele. Vi-os comprar muitos volumes da marca do tabaco que o João fumava”.
João Abrunhosa vai agora ser extraditado e julgado no Tribunal de Mêda. O Ministério Público pede uma pena de 25 anos.
Segundo a Guardia Civil, João, agora com 54 anos, foi detido na localidade de Alfaro (La Rioja) depois de a sua companheira ter apresentado queixa contra ele por violência doméstica. A Polícia veio a descobrir que ele era tinha um mandado de captura emitido por Portugal pela prática de um “brutal” homicídio.
A actual companheira, que apre sentou queixa, teve de receber tratamento hospitalar.
IRMÃO PRESO POR HOMICÍDIO
Os moradores de Outeiro dos Gatos, em Mêda, recordam bem o crime cometido pelas mãos de João Abrunhosa, mas também não esquecem que este não foi o único crime cometido por aquela família.
Cerca de três anos antes, o irmão dele também tinha morto a mulher. Disparou contra ela e ainda lhe bateu com um pau. Estará prestes a terminar a pena que cumpre no estabelecimento prisional da Guarda. Também os militares da GNR que estavam de serviço naquele dia recordavam bem o crime que estragou o dia da Feira Anual. Os conhecidos da vítima dizem que ainda é tempo para fazer Justiça.
PORMENORES
VÁRIOS FILHOS
Os moradores não sabem precisar quantos filhos tinha o casal. “Eram muitos”, dizem. Uns ficaram em casa de familiares, outros foram entregues a instituições e outros estavam já “crescidos e seguiram com a vida”.
SEM PROFISSÃO
Donzília Pereira, deficiente física, não podia trabalhar. O marido, alcoólico, trabalhava apenas de vez em quando. Em Espanha, também não lhe era conhecida qualquer profissão fixa. Desempenhava algumas tarefas na agricultura.
PENA MÁXIMA
A Guardia Civil vai entregar o homicida à PJ. O Ministério Público acusa-o de homicídio e pede a pena máxima: 25 anos de cadeia. João Abrunhosa ficou preso em Madrid.
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