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Correio da Manhã

Portugal
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EU AGORA INVENTO TUDO

Alfredo Pequito, ex-delegado de informação médica da Bayer, foi despedido da empresa por fazer denúncias de corrupção envolvendo 2492 médicos que recebiam contrapartidas para prescreverem medicamentos da farmacêutica alemã.
9 de Novembro de 2004 às 01:03
Correio da Manhã – O Alfredo Pequito fez as alegadas chamadas anónimas com ameaças a si e ao dr. Garcia Pereira?
Alfredo Pequito – É evidente que não. Isso é surrealista. Eu não tenho acesso a telefones públicos e ando sempre acompanhado por duas pessoas.
– Quem são essas pessoas?
– São dois elementos de segurança pública.
– As nossas fontes referem que aproveitou os momentos em que não estava com eles quando alegadamente fez essas chamadas de uma cabina pública?
– Não pode ser. Eu não posso sair de casa, tenho um carro da PSP com elementos fardados à porta 24 horas por dia e está lá há um ano.
– Mas há registos de que terá feito essas chamadas.
– Isso deve ser uma história do Ministério Público, que não tem gostado de alguma coisa que tem feito e isso está enquadrado em alguma moldura penal.
– A versão que instrusos entraram no quintal da casa de sua mãe também, referem as nossas fontes, foi inventada por si?
– Isso não tem pés nem cabeça. Eu agora invento tudo.
– As agressões de que diz ter sido vítima também terão sido inflingidas por si próprio?
– Fui ao Instituto de Medicina Legal na primeira vez porque pedi para lá ir, mas da segunda vez foi o Ministério Público que pediu para eu ir.
– Não provocou então essas agressões?
– A autoflagelação é uma coisa que vem de longe. Aliás, antes de eu ter saído do Hospital Curry Cabral já o meu processo clínico estava cá fora.
– E o que conclui?
– Só posso dizer que intentei um processo contra os médicos, que me fizeram testes para verificar se tinha tomado barbitúricos e opiácios e deu tudo negativo.
– O Alfredo Pequito nega então que tenha feito as chamadas com as ameaças, a falsa intrusão dos dois indivíduos no quintal da casa de sua mãe, as agressões que fez contra si?
– Isso é tudo difamação. Como é que faço as chamadas para mim e para o Garcia Pereira? Não consigo perceber. Para isso teria de sair de casa e comprar um cartão para o telefone mas ando sempre acompanhado.
– Refuta então estas informações?
– É evidente. Além disso, o DIAP [Departamento de Investigação e Acção Penal] tem documentos e é tudo transcrito por funcionários judiciais.
– Mas as nossas fontes referem-no como sendo o autor destas chamadas falsas!
– Se houvesse um mínimo de fundamento, haveria uma moldura penal para sancionar essa situação. Então eu pergunto por que não actua o Ministério Público?
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