David Marinho matou Ana Rita Dionísio com 21 facadas. Também tentou matar homem, que estava com a vítima.
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David Marinho começou por pedir desculpas à família de Ana Rita Dionísio, a jovem com quem namorou três anos e que, a 4 de agosto do ano passado, matou à facada. No Tribunal de Matosinhos, o arguido, de 24 anos, confessou esta quinta-feira o homicídio. Assumiu ainda que tentou matar um outro homem, com quem Ana Rita manteve relações sexuais antes do crime. A jovem foi morta com 21 facadas na casa onde vivia em São Mamede de Infesta, Matosinhos.
"Ela estava sempre a dizer para eu ter calma, que gostava de mim, que não era nada do que tinha visto. Ela continuou a falar e eu perdi novamente o controlo, não queria que ela falasse mais, sabia que era tudo mentira, vi o quanto ela me tinha enganado o tempo todo. Ataquei-a, não sabia como a estava a atacar e onde. Só queria que ela se calasse. Eu fui para cima dela, ela ficou quieta e não falou mais", contou David, que descreveu o que aconteceu depois. "O primeiro golpe foi nas costelas, depois ficou tudo branco", disse.
O suspeito - de 24 anos e nacionalidade brasileira - negou que a relação tivesse terminado. Alegou que após uma discussão, ocorrida em junho, foi viver para a casa de familiares no Marco de Canaveses. Garantiu, no entanto, que continuava a ir todos os dias a casa de Ana Rita, de 26 anos. Disse que no dia do crime foi à casa da jovem, entrou com uma chave que estava na caixa da luz e que surpreendeu a vítima a manter relações sexuais com outro homem.
"Peguei no telemóvel para gravar, não acreditava no que estava a acontecer. Durante a nossa relação ela sempre desconfiou muito de mim, dizia que eu tinha outras pessoas e eu nunca tive. Naquele momento filmei porque era uma prova que eu tinha de que ela me estava a enganar", alegou o arguido, que depois foi à cozinha buscar duas facas.
"O que mais me consumiu não foi a traição, foi todos esses anos que passei com ela, em que constantemente eu mostrava tudo da minha vida, deixei tudo da minha vida, os meus objetivos, para fazer o que ela queria. Planeávamos casar, ir viajar para o Brasil e ela estava a enganar-me. Alguma coisa ardia, queimava dentro de mim e eu não me consegui controlar, sair da casa. Aquilo estava a corroer-me, o que eu estava a ver, a escutar. Eu não consegui sair da casa, simplesmente não consegui sair. Eu estava tomado pela raiva, sei que nada muda o que aconteceu, eu já estou a pagar pelo que fiz, sei que não dá para voltar atrás", disse.
David descreveu que atacou depois Guilherme à facada. "Fui até à cozinha e peguei nas facas. Depois fui em direção ao quarto, comecei a atacar o Guilherme. Fui só para cima dele, não o conhecia. Eu só o queria magoar, machucar, joguei para fora tudo o que estava dentro de mim. Caímos no chão. A Ana abriu a persiana para pedir ajuda e eu corri e fechei a janela", explicou.
O suspeito diz que depois empurrou o homem para a casa de banho e que pretendia ir embora quando Ana Rita o tentou convencer de que ainda o amava. Alega o suspeito que a jovem ainda pegou numa das facas. "A Ana pediu-me para eu ligar para ambulância, disse que o que aconteceu foi de momento, não significava nada para ela, que ela gostava era mesmo de mim, disse que me ia desculpar. Quando ouvi aquelas palavras fiquei mais enfurecido, disse que não ia ligar para a ambulância e que ela não me ia manipular novamente", alegou, tendo explicado que logo depois atacou a vítima à facada.
David ligou depois ao pastor da sua igreja a contar o que tinha feito e foi ao local de trabalho dizer que não iria comparecer no dia seguinte. Tentou depois fugir para o Brasil a partir do aeroporto de Lisboa, mas foi detido. Está em prisão preventiva e agora acusado de dois crimes de homicídio, um na forma consumada e outro tentado.
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