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Correio da Manhã

Portugal
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Ex-bombeiro salva dezenas do fogo

Carlos Basílio estava no café quando ouviu a explosão que anteontem à tarde abalou a torre nº 3 da rua Coutinho Pais, em Algueirão Sintra. "Preocupado com a mãe, os irmãos e a filha de três anos", apressou-se a subir até à residência da família, no 4º andar. O rebentamento da conduta de electricidade, que abastece o prédio, tinha sido no piso inferior e as chamas alastravam já aos pisos superiores.

9 de Junho de 2008 às 00:30
Atitude de Carlos Basílio (na foto) é considerada “heróica” por muitos moradores
Atitude de Carlos Basílio (na foto) é considerada “heróica” por muitos moradores FOTO: Pedro Catarino

"Foi uma aflição. Comecei a tirá-los de casa, pelas escadas", relata. "Ao passar pelo terceiro andar apercebi-me de que iam atirar água para as chamas e impedi que o fizessem. Estive sete anos nos bombeiros e sei que nunca se apaga um fogo de origem eléctrica com água."

Carlos Basílio apressou-se a descer. No café pegou em dois extintores, enrolou uma toalha molhada à cabeça e voltou a subir. "Quando voltou, sentou-se e desmaiou", contou ao CM José Ramos, proprietário do café O Forcão’ onde o jovem tinha ido buscar os extintores.

Entretanto, já quase todo o prédio tinha sido evacuado. De acordo com a Protecção Civil, 25 pessoas sofreram ferimentos ligeiros e receberam assistência médica no local. Apenas três pessoas tiveram de ser conduzidas ao hospital.

Entre as vítimas mais graves conta-se Luísa Freitas, de 70 anos, que recentemente foi operada à perna esquerda. "Fui de rastos pelas escadas até lá abaixo", contou a idosa ao CM poucas horas depois de regressar ao sexto andar onde vive. Foram dois netos que ajudaram Luísa Freitas a descer. "Eu peguei-lhe pelos braços, o meu primo pelas pernas. Foi muito difícil. Não se via nada por causa do fumo e estava muita gente em pânico. Tivemos de descer aos apalpões", recorda Pedro Freitas, de 17 anos.

MANUTENÇÃO EM CAUSA

De acordo com um técnico da EDP presente no local poucos minutos após o incidente, a explosão deverá ter sido provocada "pela falta de manutenção da conduta central de electricidade do prédio". "É necessário verificar todos os parafusos de dois em dois anos." A administração do condomínio estranha a observação, defendendo que "a EDP nunca informou de que essa manutenção era necessária". "Se for esse o caso, há milhares de prédios neste País que vão explodir nas próximas semanas pois ninguém faz esta verificação", dizem Rui Alexandre e Vítor Fonseca.

Certo é que poucas horas depois do incidente, o piquete da EDP voltou a ligar a electricidade. Por outro lado, os moradores contestam a actuação da LisboaGás. "Vieram cá e fecharam a conduta por segurança. E agora só voltam cá segunda-feira [hoje] para restabelecer o fornecimento. É inadmissível."

 

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