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Correio da Manhã

Portugal
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Ex-comandante da GNR denuncia tráfico de influências

O ex-comandante do destacamento da GNR de Braga acusa o comando da Brigada Norte de tráfico de influências, traição, desrespeito pela legalidade democrática e falta de lealdade e isenção, na sequência de um caso em que diz ter sido desautorizado depois de ter recusado o policiamento a um jogo de futebol do Sporting de Braga, por falta de pagamento do clube aos elementos da corporação. A direcção do clube nega todas as acusações.
28 de Abril de 2006 às 16:43
Em declarações prestadas à rádio TSF, José Pires, que foi detido ao início da tarde pela Polícia Judiciária Militar e libertado pouco tempo depois, diz ter sido impedido pelos seus superiores de cumprir a lei depois de o Sporting de Braga ter atrasado os pagamentos relativos à segurança dos jogos em seis meses, acumulando uma dívida que chegou aos 22 mil euros. O ex-comandante alega que contactou o clube, que concordou em efectuar os pagamentos em atraso num prazo de 15 dias, a fim de evitar que os policiamentos aos jogos deixassem de ser feitos, o que acabou por não ser cumprido.
Ainda segundo José Pires, no início da presente época, os dirigentes do Sporting de Braga alegaram que não podiam liquidar a dívida, pelo que ele decidiu suspender a segurança aos jogos do clube. Porém, isso nunca aconteceu, porque, refere o ex-comandante, foi desautorizado pelos seus superiores.
José Pires explica que os dirigentes do clube terão exercido pressões sobre o comando da brigada e o comando territorial, ameaçando mesmo entregar a direcção do Sporting de Braga à Câmara se não fosse assegurado o policiamento dos jogos.
Considerando-se desautorizado, depois de ter sido assegurado o policiamento no jogo do Sporting de Braga com o Penafiel, a 28 de Agosto de 2005, o ex-comandante da GNR pediu a passagem à reserva e a destituição de funções, recusando comandar o policiamento, mas foi-lhe declarado ‘stress nervoso’ por parte de um médico da corporação e marcada uma junta médica, a que não compareceu.
Na sequência da recusa em apresentar-se à junta médica, José Pires foi alvo de um processo disciplinar, tendo sido declarado desertor por “ausência ilegítima” no passado dia 11 de Abril. A defesa jurídica do ex-comandante está a ser promovida pela Associação de Profissionais da Guarda (APG).
SPORTING DE BRAGA NEGA ACUSAÇÕES
Contactado pela rádio TSF, o presidente do Sporting de Braga, António Salvador, negou todas as acusações feitas por José Pires e garantiu que o clube nunca deveu nada à GNR, sublinhando que, mesmo que isso acontecesse, teria na mesma de fazer a segurança dos jogos, que nunca pode ser posta em causa.
OUVIDO NO DIAP
O capitão da GNR José Pires esteve detido, pouco mais de dez minutos, no Porto, saindo em liberdade depois de ter confirmado no Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) declarações prestadas à Polícia Judiciária Militar a 11 de Abril.
O ex-comandante do destacamento de Braga está acusado de deserção e sujeito à medida de coacção de termo de identidade e residência desde o dia 11 deste mês. A acusação surgiu na sequência da existência de faltas injustificadas ao serviço por parte de José Pires.
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