Coronel Luís Vieira, acusado de seis crimes em coautoria, entre os quais denegação de justiça e prevaricação, reforçou no tribunal a ideia de que atuou da melhor maneira possível.
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O ex-diretor da PJ Militar negou hoje ter agido contra a lei e assumiu que voltaria a tomar as mesmas decisões, no caso da recuperação do armamento furtado de Tancos, alegando que era um desígnio nacional.
O coronel Luis Vieira, acusado de seis crimes em coautoria, entre os quais denegação de justiça e prevaricação, reforçou no tribunal a ideia de que atuou da melhor maneira possível "em nome do interesse nacional", relembrando as palavras do Presidente da República que insistentemente alertava para a necessidade de recuperar o material bélico e sobre os prejuízos que o furto causou na imagem das Forças Armadas.
"Nunca me passou pela cabeça estar a agir contra a lei. Eu queria era recuperar o material e acautelar os riscos. Lamento ter estragado a carreira de militares [da PJM e da GNR]", afirmou hoje no seu interrogatório no julgamento do caso, que decorre em Santarém.
No final da sessão, os seus advogados consideraram que, no processo de recuperação do material furtado dos paióis, o coronel se confrontou com um "conflito de deveres".
"Hoje o coronel faria o mesmo, porque recuperou o material, empenhou os seus homens e tinha consciência que a recuperação do equipamento era muito importante para o país. Deu uma ordem para que o material fosse recuperado para que os seus militares se empenhassem e está um pouco revoltado, porque estão aqui a serem julgados", afirmou o advogado Manuel Ferrador, classificando de "honrosos e valiosos" os atos do seu cliente.
Luis Vieira considera "conscientemente que não agiu contra a lei", justificando que todo o trabalho da PJM, após o furto, foi de recolher informação e recuperar o material, o que veio a acontecer em outubro de 2019 na Chamusca.
As versões apresentadas em julgamento pelos arguidos Luis Vieira e o seu subordinado major Vasco Brazão são contraditórias em vários aspetos, nomeadamente sobre a entrega de um memorando ao ex-ministro da Defesa Azeredo Lopes, também arguido no processo, a questão da existência de uma chamada anónima, uma "farsa" montada pela PJM, e a existência de um informador [Fechaduras].
Logo no dia a seguir ao achamento do material, Brazão disse que o ministro exigiu que fosse esclarecida a questão da chamada anónima, durante um telefonema que teve com Luís Vieira e este desmentiu, dizendo que só soube que foi feita a referida chamada uma semana depois.
Também em relação ao memorando, o major afirma que o elaborou com o diretor da PJM e que este seria um auxiliar de memória para a conversa com Azeredo Lopes e Luís Vieira garante que desconhece o memorando - que só o viu no DCIAP - e que não teve qualquer responsabilidade no mesmo.
Quanto ao informador, peça central para a descoberta do material, Luis Vieira, afirmou hoje, pela primeira vez, que soube da existência deste no dia 27 de setembro numa conversa com o arguido Lima Santos [GNR] e que aí ficou "convencido que o material seria recuperado".
O arguido contesta a tese do Ministério Público de que participou no encobrimento em que está envolto o achamento das armas e que sabia da existência do autor confesso do furto, João Paulino.
Luís Vieira está acusado de associação criminosa, tráfico e mediação de armas, falsificação ou contrafação de documentos, de denegação de justiça e prevaricação e de favorecimento pessoal praticado por funcionário em coautoria com outros arguidos da PJM, entre os quais Vasco Brazão, elementos da GNR e Azeredo Lopes.
CC // HB
Lusa/fim
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