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Correio da Manhã

Portugal
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Ex-emigrante mata mulher e suicida-se

A doença de Leonor, de 76 anos, nunca foi compreendida pelo marido. José, de 78, passava o tempo fechado em casa a tomar conta da doente de Alzheimer, para evitar que esta fugisse. Até que ontem de manhã a assassinou com um tiro de caçadeira, dentro da casa de ambos, em Paderne, Melgaço, disparando a seguir contra si próprio.
17 de Outubro de 2012 às 01:00
Cadáver de Leonor foi removido para a morgue de Viana pelos bombeiros de Melgaço, perante o olhar de familiares e vizinhos incrédulos com o homicídio
Cadáver de Leonor foi removido para a morgue de Viana pelos bombeiros de Melgaço, perante o olhar de familiares e vizinhos incrédulos com o homicídio FOTO: Eduardo Martins

O homicídio seguido de suicídio abalou a pequena aldeia minhota, no mesmo dia que, em Mora, no Alentejo, José Nunes, 57 anos, movido por dívidas em que se afogou e por uma doença que lhe fora diagnosticada na véspera, disparou sobre a filha – está em risco de ficar paraplégica – e se barricou 12 horas até ser imobilizado por forças especiais da GNR (ver peça secundária).

Em Melgaço, "ele vivia revoltado porque com a doença ela fugia de casa e precisava de muitos cuidados. Mas uma coisa destas ninguém esperava", diz ao CM Maria Dias, vizinha.

No Lugar de Sainde, familiares e amigos tentavam perceber o que levou José Lourenço a matar a mulher, Leonor Domingues, e suicidar-se. "Davam-se bem. Eram um casal normal", disse Fernando, um dos dois filhos. Não havia queixas de violência doméstica.

O crime terá ocorrido de manhã. Estranhando a demora em abrir a porta, duas funcionárias do Centro de Apoio Domiciliário, que diariamente cuidavam da higiene de Leonor, entraram na casa. Encontraram a idosa no chão da cozinha, envolta numa poça de sangue. Viram José depois, com a cara desfeita por um disparo de caçadeira. "Ele ainda falou e foi pelo próprio pé até à ambulância", contou um vizinho. José Lourenço, ex-emigrante em França, morreu no Centro de Saúde de Monção.

BARRICADO 12 HORAS DEPOIS DE ATINGIR FILHA NAS COSTAS

Um homem de 57 anos esteve ontem barricado mais de 12 horas, após ter atingido a filha a tiro nas costas no Monte Grande, junto a Cabeção, Mora. Esta está em risco de ficar paraplégica. José Nunes, afectado por lhe ter sido diagnosticado um cancro na próstata, foi detido às 17h00 depois de uma operação táctica da Unidade de Intervenção da GNR, após várias horas de negociação sem que se entregasse.

Até então esteve sempre de caçadeira em punho e ainda atingiu uma viatura. Quatro pessoas estiveram ‘sequestradas’ numa residência contígua. Não arriscaram sair porque o homem andou armado pelas imediações ao longo do dia. Tudo começou quando, de madrugada, começou aos tiros na herdade onde reside e é trabalhador agrícola.

Assustados, os vizinhos alertaram a filha, de 32 anos, que foi tentar acalmar o pai, na companhia do marido. Acabou atingida na costas com vários chumbos, pelas 10h30. Foi levada para o hospital de Évora. O homem – desde que pegou na caçadeira – apenas esboçou reacções enquanto a filha era socorrida pelos bombeiros e pela INEM. Deixou os bombeiros trabalhar, mas sempre de caçadeira apontada.

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