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Correio da Manhã

Portugal
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EX-MARIDO PRESO

Foi maltratada pelo marido durante pelo menos dois anos. A dor de 'Ana' levou-a a fugir de um homem que a humilhou publicamente, que a agrediu, e que até fez com que tivesse de mudar de emprego. Ontem o peso da sua dor foi aliviado pela notícia da PSP. O agora ex-marido foi preso preventivamente.
24 de Setembro de 2004 às 00:00
'Ana' foi agredida, perseguida e teve de mudar os seus hábitos de vida
'Ana' foi agredida, perseguida e teve de mudar os seus hábitos de vida
A história de 'Ana' deverá ter começado algum tempo antes, mas só em 2003 decidiu denunciá-la à PSP. Atitude que as autoridades elogiam e reconhecem ser cada vez mais comum nas vítimas de violência doméstica.
'Ana' casou com um homem, agora com 30 anos, ao qual vamos chamar de 'Filipe'. Ambos tiveram um filho, mas por razões desconhecidas a relação começou a descambar.
No ano passado, as agressões de que 'Ana' era alvo levaram-na a dizer "basta". A amargura causada pela coacção psicológica, e pelas perseguições por parte do marido, conseguia ser maior do que os próprios maus tratos físicos.
Já em processo de divórcio, 'Ana' expõe a sua situação às autoridades. Fonte policial disse ao Correio da Manhã que, por essa altura, "foi aberto um processo-crime, seguindo-se as investigações". A Divisão de Investigação Criminal e o Departamento de Investigação e Acção Penal da Comarca de Lisboa assumiram o papel.
A 'Filipe' foi-lhe aplicada uma medida de coacção de afastamento, que à luz do artigo 200 do Código do Processo Penal o impedia de contactar e frequentar os mesmos locais de 'Ana'. Medida que 'Filipe' não cumpriu.
"O arguido continuou a perseguir a vítima nos mais diversos locais e a diversas horas causando-lhe medo, inquietação e obrigando-a a alterar o seu ritmo de vida", como explicou a PSP em comunicado.
Denunciada a situação, foram emitidos novos mandados de detenção e 'Filipe' foi novamente presente a tribunal. Desta vez ficou em prisão preventiva, a aguardar julgamento.
Fonte da PSP disse ao CM que este é "o resultado de uma viragem na PSP e na sua aposta na investigação criminal".
No ano passado a Associação de Apoio à Vítima tratou de 12 882 processos referentes a mulheres que se queixavam de serem vítimas de violência doméstica.
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