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Correio da Manhã

Portugal
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Ex-militar da GNR mata a mulher com três tiros

Separada do marido há pouco mais de uma semana, Joaquina “só vivia para sustentar as duas filhas e três netos”, garantem os vizinhos, no Seixal. Mas Joaquim “suspeitava que ela andava metida com alguém” e os ciúmes levaram-no terça-feira à noite à loucura. O ex-militar da Brigada de Trânsito da GNR fez “uma espera” à mulher, puxou da sua pistola e abateu-a com três tiros à porta de casa. Depois entregou-se à PSP.
4 de Maio de 2006 às 00:00
O crime chocou a rua Carpinteiros Machado, na zona ribeirinha do Seixal. Joaquina Boteta nasceu ali há quase 50 anos e era ali que tentava agora “refazer a sua vida”, contou ao Correio da Manhã Odete Rodrigues, de 60 anos, uma vizinha e “grande amiga” da vítima.
Joaquina “era o sustento de toda a família”.
As duas filhas são do primeiro casamento, têm 23 e 29 anos, e a mais velha é mãe solteira de três crianças: uma com nove, outra com sete e a mais nova recém-nascida”. Fazia limpezas na Câmara Municipal do Seixal e “regressava anteontem a casa, às 21h10”, depois de várias horas de trabalho.
Parou o seu carro no largo, ainda saiu, mas o marido e ex-militar da BT nem lhe deu tempo de fechar a porta. Joaquim, de 53 anos, já lá estava à espera e, sem discussões, puxou da pistola e atirou três vezes. “Foi atingida com duas balas no peito e uma que lhe perfurou um olho e trespassou a cabeça”, descreveu a amiga, que chegou segundos depois.
Odete Rodrigues ouviu o barulho dos tiros e mandou o neto à rua, “ver o que se passava. Já lá estavam outros miúdos a brincar – e o Joaquim, já a correr, ainda ameaçou as crianças que lhes dava um tiro se não fugissem”. E, enquanto isso, Joaquina “ficou estendida no chão”, junto ao carro. Teve morte imediata.
Joaquim ainda foi perseguido por populares, “atirou a pistola em direcção ao rio, enfiou-se no seu carro e foi entregar-se à PSP do Seixal”. O homicida foi mais tarde entregue à Polícia Judiciária de Setúbal.
PORMENORES
AMEAÇAS
Joaquim “não era homem de grandes bebidas”, mas às vezes tornava-se agressivo e “já tinha ameaçado a mulher”, dizem os vizinhos. O irmão da vítima, António, “andava preocupado, mas não conseguiu fazer nada para a salvar”.
EXPULSO
O homem que terça-feira à noite matou a mulher com três tiros, “por ciúmes da família”, trabalhava há uns anos na construção civil, depois de ter sido “expulso do Destacamento de Lisboa da Brigada de Trânsito”, contam os vizinhos.
SEM EMPREGO
As duas filhas de Joaquina Boteta “não trabalham” e os três netos “só dependiam da avó”. Agora “vai ser uma desgraça. Estão entregues à bisavó [mãe de Joaquina] e uma professora até já prometeu comprar fraldas para o bebé”.
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