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Correio da Manhã

Portugal
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Ex-ministra suspende prova global

A ex-ministra da Educação, Maria do Carmo Seabra, decidiu deixar um brinde aos alunos na sua despedida: o exame do 9.º ano na disciplina de Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) não vai realizar-se este ano.
16 de Março de 2005 às 00:00
O despacho, datado de 25 de Fevereiro, foi publicado ontem em ‘Diário da República’, precisamente um ano depois da inauguração da primeira sala de TIC, pelo então ministro David Justino. Os governos PSD/CDS-PP investiram 18 milhões de euros para criar mais de 1200 salas de TIC, em 1072 escolas. Mas muitos dos 183 mil alunos abrangidos acabaram por não ter estas aulas – faltam professores de Informática.
No despacho, a ex-ministra justifica a decisão com a insuficiência de “recursos tecnológicos e humanos”, que afecta a “leccionação” da disciplina. “A disparidade de equipamentos e aprendizagens adquiridas, implica que não estão asseguradas condições de igualdade” para a realização da prova do 9.º ano de TIC.
PAIS E PROFESSORES
A decisão apanhou de surpresa professores e pais. Anabela Delgado, do secretariado nacional da Fenprof, afirma “desconhecer” a decisão da ex-governante e diz que, dadas as justificações apresentadas, “não devia haver provas nas outras disciplinas”, pois há atrasos em várias áreas. A suspensão das provas para este ano lectivo – numa altura em que várias escolas já tinham calendarizados os testes – “acaba por ser uma contradição profunda”, pois “são provas em que as escolas têm possibilidades de adoptar as matérias a exame em função do conhecimento dos alunos”. Para a dirigente da Fenprof, com as justificações apresentadas pela ex-ministra “também não se deveriam realizar os exames nacionais de Português e Matemática”, pois “há alunos com menos aulas que outros”.
Uma posição corroborada por Albino Almeida, presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap). “Este é um ano desadequado para a realização dos exames nacionais do 9.º ano, devido aos atrasos no início das aulas e na colocação de docentes”. Albino Almeida frisa ainda que os anteriores governos, apesar de terem “colocado computadores e internet nas escolas”, esqueceram-se de “currículos e formação de professores”. Por isso, a decisão de Maria do Carmo Seabra “é uma medida de bom senso”.
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