Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal

Ex-namorada acusa coreógrafo de agressão

Terça-feira, 22 horas. 10 de Janeiro de 2006. Hermínia e Luís vão jantar à Cervejaria Ibérica, em Lisboa. Já encomendaram a refeição quando ele começa a implicar. A mulher tenta acalmá-lo, mas ele fala agressivamente. De repente, levanta a mão direita e atinge-a. A violência até a desequilibra da cadeira. Humilhada, levanta-se, pede a conta e sai, perante o olhar petrificado dos empregados. Mas a cena continua.
16 de Abril de 2006 às 00:00
Hermínia Esteves diz ter testemunhas nas duas agressões
Hermínia Esteves diz ter testemunhas nas duas agressões FOTO: Tiago Vicente
Ele segue-a, primeiro até ao balcão e, depois, à saída. Na rua, agarra-a pelos braços e empurra-a contra a parede. O momento termina quando vem gente em auxílio dela.
Hermínia Esteves, 37 anos, psicopedagoga, garante que foi assim a primeira agressão. Mas não deu conta às autoridades nem consta registo do carro-patrulha, onde ela garante ter estado. O alegado agressor é Luís Damas, ex-bailarino da Gulbenkian, coreógrafo e professor.
“O facto de ter problemas sérios com a droga não lhe dá o direito de agredir física e psicologicamente as pessoas. Os guardas que estavam num banco ali perto é que chamaram o carro-patrulha. O agente disse-me para pensar bem e desaconselhou-me a fazer queixa. Fui para casa e não participei.”
MAIS VIOLÊNCIA
Nos dias que se seguiram, andou sempre com uma amiga. Quanto ao namorado, “passava o tempo a pedir perdão com medo que fizesse queixa e até aceitou que o levasse a uma consulta de um colega psicopedagogo”.
O casal deu por findo o relacionamento ao fim de seis meses. Combinaram que Hermínia iria buscar os pertences a casa dele. Nesse dia, levou a amiga Cátia, que terá testemunhado nova agressão. “Estava tudo combinado, mas tentou impedir-me. Agarrou-me e empurrou-me com força contra a porta. Desta vez, fiz queixa na PSP.”
TESTEMUNHA NO RESTAURANTE
A participação deu entrada na esquadra de Arroios em Fevereiro, conforme confirmou o CM. No entanto, não há qualquer registo de que um carro-patrulha estivesse envolvido na situação.
Carlos Pereira, o empregado que serviu a mesa do casal na Cervejaria Ibérica, tem na memória a cena – dentro e fora do restaurante –, a senhora a chorar e o carro da Polícia. “Já fiz uma asneira dessas e arrependi-me”.
NÓDOA EM CURRÍCULO INVEJÁVEL
Luís Damas tem um trajecto de sonho ao serviço das artes. Não quis fazer qualquer comentário sobre a nódoa que agora caiu no seu currículo, quando confrontado pelo CM. Tem 45 anos e dançou no Ballet Gulbenkian entre 1982 e 2001, onde foi primeiro bailarino. Foram-lhe atribuídos vários prémios, medalhas e menções honrosas no País e no estrangeiro. Fez coreografias para o Dutch National Ballet, Ballet Gulbenkian e Companhia de Dança Contemporânea, entre outras. António Laginha, ex-bailarino que partilhou o palco com ele, descreve-o como “gentil, educado, civilizado, bom profissional e trabalhador”. “Conheço o Luís há 20 anos. Não parece o género de bater à toa.”
Idêntica opinião é partilhada por outros profissionais do meio que sublinham não ser uma pessoas violenta. Suscita dúvidas o problema da toxicodependência atribuído a Luís Damas.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)