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Correio da Manhã

Portugal

Ex-namoradas torturaram e mataram para ficar com 75 mil euros

Jovem informático foi asfixiado e esquartejado.
Tânia Laranjo e Ana Palma 24 de Fevereiro de 2021 às 01:30
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Ex-namoradas torturaram e mataram para ficar com 75 mil euros. Julgamento começa hoje
Maria Malveiro tem agora 20 anos, Mariana Fonseca 24. Começam esta terça-feira a ser julgadas no Tribunal de Portimão por homicídio qualificado e os requintes de malvadez do crime violento podem levar a que sejam condenadas a 25 anos de cadeia.

Maria confessou integralmente o crime no primeiro interrogatório, Mariana disse na altura que só ajudou a namorada. Recuou mais tarde no depoimento e a defesa de Maria chegou mesmo a pedir ao tribunal que fosse feita uma perícia psiquiátrica. O móbil do crime foram os 75 mil euros que Diogo tinha recebido de indemnização pela morte da mãe, dinheiro que Maria e Mariana queriam para elas.

O crime, cometido em março do ano passado, chega agora a julgamento. Diogo Gonçalves, de 21 anos, foi desmembrado e decapitado e as partes do corpo encontradas no Pego do Inferno, em Tavira, e junto à Fortaleza de Beliche, na outra ponta da região, em Sagres. As jovens foram detidas dias depois.

O início do julgamento deverá começar com os depoimentos de Maria e Mariana, que confessaram ter decidido os pormenores do crime depois de se inspirarem na série de TV ‘Dexter’, na qual as vítimas eram desmembradas. Está marcada uma segunda sessão para sexta-feira que poderá ser remarcada devido à pandemia.

A calma com que Maria confessou o crime chocou até o magistrado de instrução criminal, que chegou mesmo a dizer que "nunca ouviu nada assim". E o "assim" são detalhes arrepiantes: Maria fez um mata-leão a Diogo, que ainda foi ressuscitado por Mariana - enfermeira; depois, sufocou-o até à morte e cortou-lhe os dedos para conseguir aceder ao seu telemóvel e à conta bancária. Seguiram-se os passos que aprendeu na TV. Meteu o corpo na mala do carro da vítima e levou-o até casa, onde o desmembrou. Começou pela cabeça, seguiram-se as mãos e os pés. Maria pensou tirar-lhe os dentes para evitar que fosse identificado, mas não conseguiu.

"Eu sei que é um bocado imaturo, [...] mas eu tinha visto numa série que um homem que matou uma mulher tinha-lhe cortado os dedos para ter acesso ao telefone dela", contou Maria, ao que o juiz respondeu em tom irónico: "O ato pode ter muitos adjetivos. Imaturo não é um deles."

Corpo levado de casa em cadeira com rodas
A morte de Diogo ocorreu na casa onde residia em Algoz, no concelho de Silves, durante um encontro marcado por Maria, no dia 20 de março de 2020. Maria entrou na casa e Mariana ficou no carro à espera. A jovem segurança colocou sedativos dentro do sumo de laranja que este bebeu, tendo sido depois amarrado com abraçadeiras a uma cadeira de escritório, com rodas.

Maria foi chamar Mariana e esta entrou na sala onde Diogo estava amarrado. O jovem reagiu e Maria colocou-lhe um dos braços à volta do pescoço. Diogo caiu e Maria colocou-se em cima dele, apertando-lhe o pescoço com as mãos até ficar inconsciente. Mariana fez-lhe manobras de reanimação, mas como este reagiu foi novamente asfixiado por Maria, desta vez até à morte. O corpo foi levado para o carro, tapado com sacos do lixo, em cima da cadeira com rodas onde estava amarrado.

Cortam dois dedos para aceder a conta
Maria e Mariana cortaram dois dedos de Diogo para conseguirem desbloquear o seu telemóvel e assim aceder ao conteúdo, nomeadamente à conta bancária do jovem.

Esquartejado dentro de garagem
O corpo foi levado no carro da vítima para a garagem da casa onde Maria vivia, no Chinicato, Lagos. Foi aí que lhe cortaram a cabeça, os braços e pés.
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