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Correio da Manhã

Portugal
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Exames do 12º ano em causa

O exame nacional do 12.º ano de Português, com 80 250 alunos inscritos, pode não realizar-se em várias escolas devido à manifestação nacional da Função Pública, dia 17. Esperam-se em Lisboa milhares de professores e funcionários não docentes, estando assim em risco o dia de arranque dos exames nacionais.
8 de Junho de 2005 às 00:00
Professores param no dia 17 e ameaçam com greve de 20 a 23
Professores param no dia 17 e ameaçam com greve de 20 a 23 FOTO: Antonio Simoes
Para já, o Ministério da Educação só diz “estar a trabalhar com as escolas para que tudo corra bem e dentro da normalidade”, sem esclarecer como resolverá os casos de alunos que não possam realizar provas.
Quem não está pelos ajustes é Albino Almeida, presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap). “É uma falta de consideração pelos alunos, prolongando-lhes a angústia. As atitudes dos sindicatos podem comprometer os exames. Assim sendo, os professores entram pelo mau caminho e perdem simpatia pelas suas causas.”
A realização de outras provas do 12.º e os exames de Matemática e Língua Portuguesa do 9.º ano também estão em causa, se os sindicatos avançarem para uma greve de quatro dias – 20 a 23 –, intenção anunciada ontem e que abrangerá os trabalhadores não docentes.
Mário Nogueira, coordenador do Sindicato dos Professores da Região Centro, frisa que não é uma greve aos exames. “Não fomos nós que escolhemos Junho para anunciar medidas.” E admite a possibilidade do encerramento de escolas em dias de exame. “O momento pode ser duro, mas não podemos virar costas.”
Apesar de ter cariz regional, a eventual greve afectará alunos de todo o País. No dia 20 abrange a região Centro (provas do 12.º de Geologia, Sociologia, Geografia e Língua Portuguesa do 9.º); a 21 é em Lisboa (Latim e Matemática do 12.º); a 22 é no Norte (exames de Filosofia, Psicossociologia, História da Arte e Introdução à Actividade Económica e prova de Matemática do 9.º); e no dia 23 chega ao Alentejo, Algarve e ilhas (Direito, Química e Inglês).
ESCOLAS E GREVE
José Luís Ventura, vice-presidente do Conselho Executivo da ES Camilo Castelo Branco (Vila Real), considera “provável o risco de não se realizarem provas”, para mais quando os docentes têm falta justificada para se deslocar para a manifestação em Lisboa.
Dulce Chagas, presidente do Conselho Executivo da Secundária Padre António Vieira (Lisboa), vai prevenir faltas de professores no dia 17 e eventualmente nos dias de greve. “Farei a convocatória habitual, dois professores por sala e um suplente, e para além disso será convocada toda a escola, para não haver percalços”, explica, considerando que esta é uma situação “de sobreposição de interesses”.
POR QUE LUTAM OS DOCENTES
Os representantes das estruturas sindicais de professores entregam hoje na residência oficial de José Sócrates uma carta reivindicativa, onde contestam as medidas governamentais que afectam o sector. A não contagem do tempo de serviço para a progressão das carreiras, o fim da possibilidade de os professores na pré-reforma poderem ter horário-zero e o aumento da idade de aposentação para os 65 anos e 40 de serviço são algumas das reivindicações dos professores, que exijem diálogo ao Governo. No caso de não haver resposta positiva do executivo, avançam para a greve de quatro dias, de 20 a 23.
NÚMEROS
80 250 NO DIA 17
No primeiro dia de exames está previsto realizarem-se 80 250 provas: Português B, 67 475, às 9 horas, e Português A, 12 775 provas, às 11h30. A manifestação da Função Pública está marcada para as 14h30.
99 761 CANDIDATOS
Dos 120 857 alunos inscritos, 83 por cento (99 761) vão candidatar-se ao ensino superior. Há 26 499 estudantes que vão fazer exame apenas para acesso ao superior.
33,9 MILHÕES DE A4
De acordo com Vítor Boavida, director executivo da Editorial do Ministério da Educação, os exames do 9.º e 12.º anos levarão à produção de 33,9 milhões de folhas A4.
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