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Correio da Manhã

Portugal
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Executa a mulher e amante a tiro

Pressionado pela vida dupla, Rui Gonçalves juntou no seu carro Amália e Cláudia, que não se conheciam, e matou-as pelas costas a tiros de caçadeira.
24 de Junho de 2010 às 00:30
Rui e Amália Guerreiro viviam nesta casa em Santo André. Matou a mulher e amante a tiro junto à barragem de Morgavel
Rui e Amália Guerreiro viviam nesta casa em Santo André. Matou a mulher e amante a tiro junto à barragem de Morgavel FOTO: direitos reservados

Quando saiu anteontem do trabalho, Rui Gonçalves já tinha decidido o que fazer. Primeiro foi a casa chamar a mulher. Depois foi buscar a amante. As duas não se conheciam, mas o soldador de 41 anos juntou-as na sua carrinha e levou-as para um local ermo junto à barragem de Morgavel, em Sines. Obrigou-as a saírem da sua viatura e executou-as de imediato com tiros de caçadeira pelas costas.

O homicida, que terá cometido o crime pressionado pela vida dupla que levava, telefonou depois para o 112, colocou no corpo da amante um papel com a identificação e contacto desta – e ligou à sogra. 'Matei a sua filha e a outra rapariga. A seguir vou-me matar', recordou ontem ao CM, em lágrimas, Adília Costa. Segundos depois, Rui pegou na arma e disparou contra a própria cara, mas não morreu. Está gravemente ferido (ver caixa).

Residente no bairro das Flores, em Vila Nova de Santo André, Santiago do Cacém, Rui era considerado uma pessoa de temperamento 'agressivo' e com 'vários episódios de violência doméstica'. 'Era obsessivo e tinha muitos ciúmes das mulheres', contam amigos e familiares das duas vítimas.

Em Santo André, onde o casal vivia, a população não se mostrou surpreendida com o trágico desfecho da relação. 'Ameaçou várias vezes que a matava. Tinha muitos ciúmes da mulher mas ele é que sempre teve muitas amantes', disse um amigo da família. Tal como o CM avançou ontem, o crime ocorreu ao início da noite de terça-feira.

Depois de convencer a mulher, Amália Guerreiro, 31 anos, e a amante, Cláudia Póvoas, 28 anos e residente em Porto Covo, a acompanhá-lo até à barragem, Rui consumou o homicídio. Matou primeiro a mulher, com quem estava casado há 11 anos, e, em seguida, a jovem amante quando esta já estava em fuga. O corpo desta última foi encontrado a alguns metros de distância da viatura. O homicida estava junto à mulher. A investigação é liderada pela PJ de Setúbal.

HOMICIDA ESTÁ DESFIGURADO MAS RECUPERA

Internado no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, o homicida Rui Gonçalves continua com prognóstico reservado. Segundo José Pinto da Costa, porta-voz da unidade, a situação clínica é 'estável', estando a vítima a ser 'ventilada'.

O agressor, que antes de ser transportado para o hospital da capital de helicóptero ainda foi assistido no Hospital do Litoral Alentejano, em Santiago do Cacém, está também sob escolta policial por militares do Comando Territorial da GNR de Setúbal, informou ao nosso jornal fonte daquela força.

Após ter morto as duas mulheres da sua vida, Rui tentou o suicídio com um tiro de caçadeira. Mas, em vez de ter sido certeiro, o chumbo desfez-lhe grande parte da cara. Deverá agora passar por um longo processo de cirurgias plásticas para reconstituição do rosto.

AMANTE DEIXA CONTACTO POR TEMER O PIOR

Rui era tido como possessivo. Os desentendimentos com as duas mulheres eram uma constante. Nos últimos dias, uma discussão terá deixado nervosa a amante Cláudia Póvoas. 'Era uma rapariga calma mas nos últimos dias andava alterada porque ele pressionava-a muito', conta um amigo. Na tarde de terça-feira, quando saiu ao encontro de Rui, a jovem temia o pior. 'Ela entregou à mãe o contacto da GNR para ligar caso demorasse muito'. Adília Costa, mãe de Amália, recorda-se das ameaças do genro. 'Era muito ciumento. Dizia que a matava'. A mãe de Cláudia não quis prestar declarações.

PORMENORES

TRÊS FILHOS

Rui Gonçalves tem três filhos, sendo o mais novo fruto da relação com Amália, sua mulher, e uma das vítimas mortais.

AUTÓPSIA E FUNERAL

O funeral de Amália Guerreiro realiza-se esta tarde em Sines. O corpo da amante, Cláudia Póvoas, será hoje autopsiado.

SEM CARTA

Rui Gonçalves conduzia com a carta apreendida. A sua carrinha foi vista terça-feira em Porto Covo, no local onde se encontrava com a amante.

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