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Correio da Manhã

Portugal

EXÉRCITO À ESPERA

O general Valença Pinto vai hoje apresentar ao Exército o “ponto de situação” dos estudos que estão a enquadrar a reestruturação do ramo de que é chefe de Estado-Maior. No entanto, a ansiedade no ramo é grande e a comunicação de Valença Pinto é por isso esperada com muita expectativa, uma vez que internamente ainda nada foi comunicado do ponto de vista oficial.
5 de Maio de 2004 às 00:00
É que embora o “ponto de situação” ainda não tenha um carácter definitivo quanto ao futuro das alterações e do seu calendário, resta saber as implicações que poderão trazer às três brigadas que constituem a base operacional do Exército: Brigada Aerotransportada Independente, Brigada Mecanizada Independente e Brigada Ligeira de Intervenção. As alterações poderão ainda ter incidência no Batalhão de Comandos e nas Operações Especiais de Lamego, razão pela qual a situação de expectativa rodeia todo o Exército.
Valença Pinto segue no geral a reestruturação iniciada a nível de estudos pelo seu antecessor, Silva Viegas, mas em Outubro do ano passado – ao anunciar as grandes linhas da reestruturação – deixou bem claro que 95 por cento da reforma seguiria a linha anterior, mas deixaria para si próprio cinco por cento.
E esta percentagem – embora aparentemente reduzida – poderá, na prática, alterar por completo o próprio conceito de brigada e de estrutura operacional, uma perspectiva que poderá ter por detrás o fim do serviço militar obrigatório.
Há quem receie, por isso mesmo, que o resultado nem seja carne nem peixe e haja de facto uma perca de capacidade orgânica própria das grandes unidades, mas Valença Pinto tem defendido que o objectivo é flexibilizar as forças e aumentar a capacidade operacional.
QUESTÕES
BRIGADA
É uma estrutura ternária com três unidades de manobra do tipo batalhão e unidades de apoio e serviços e apoio de combate também do tipo batalhão. Estas duas últimas estruturas dão substância à força e dão autonomia.
CRÍTICAS
O Exército tem sido muitas vezes acusado de estar sobredimensionado, numa relação em que as unidades ficam a perder face às superestruturas administrativas. Este factor é muitas vezes responsável pela burocracia interna.
VOLUNTÁRIOS
É a grande lacuna do Exército no que diz respeito aos praças. O fim do serviço militar ditou também o fim da principal fonte de recrutamento de voluntários. A BMI é a unidade que mais sofre com esta carência de voluntários.
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