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Correio da Manhã

Portugal
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Exército já tem Pandur

O Exército já recebeu as três primeiras viaturas blindadas Pandur II, a que se juntarão, entre hoje e amanhã, mais quatro e, pelo menos, outras dez até ao final do ano – de um total de 260 –, 20 delas para a Marinha, até 2010 (um contrato de 340 milhões de euros que trará contrapartidas de 516 milhões).
26 de Setembro de 2007 às 00:00
O primeiro Pandur II construído em Portugal foi ontem apresentado e testado nas instalações da Fabrequipa, no Barreiro
O primeiro Pandur II construído em Portugal foi ontem apresentado e testado nas instalações da Fabrequipa, no Barreiro
A Fabrequipa, empresa que constrói as primeiras viaturas blindadas feitas em Portugal desde as Chaimites, celebrou ontem a saída das primeiras unidades da fábrica do Barreiro. Anunciou a intenção em apostar na indústria de Defesa: criando uma linha de Protecção Balística para viaturas; entrando no concurso do Exército para 101 viaturas tácticas 4x4; e vendendo Pandur II para África.
Segundo explicou ao CM Francisco Pita, da Fabrequipa, a produção dos primeiros Pandur II correu “dentro dos prazos e sem incidentes ou acidentes”. “A transferência de tecnologia da Áustria [sede da Steyr-Daimler-Punch, principal fabricante dos Pandur II] para Portugal foi de 100%. Estamos a incorporar 65% de componentes vindos da indústria portuguesa. Esperamos chegar aos 75%”.
Para o Major-General Campos Gil, director coordenador do Estado Maior do Exército, a chegada dos Pandur II dá aos militares “maior capacidade de protecção e mobilidade no terreno”. Destacou ainda a boa colaboração com a Steyer-Daimler-Punch, que “sempre esteve receptiva e colaborante com as sugestões do Exército”. Em relação à opção por mais 33 Pandur II com canhão de 105 mm – para o qual já há um protótipo –, Campos Gil disse ao CM aguardar com expectativa os testes a realizar na Áustria e em Portugal, sendo certo que “esse tipo de viaturas são necessárias e há interesse em que seja a mesma plataforma das restantes”.
FALTOU GOVERNO
A cerimónia de ontem, a que assistiram vários responsáveis militares, ficou marcada – à semelhança do que já havia acontecido em Janeiro aquando da inauguração da fábrica – pela ausência do Governo, uma situação que Francisco Pita diz não estranhar mas que “não é muito normal”. “O Primeiro Ministro escreveu uma carta a explicar o porquê de não ter vindo [está nas Nações Unidas, em Nova Iorque]. Ele sabe tudo o que se passa neste programa, assim como o presidente da Comissão de Defesa do Parlamento [Miranda Calha] que já aqui esteve três vezes. O ministro da Defesa? Não sei...”, desabafou.
37 TANQUES DA HOLANDA
Os ministérios da Defesa de Portugal e da Holanda assinam hoje, em Lisboa, um princípio de entendimento que levará à compra por Portugal àquele país de 37 carros de combate Leopard 2A6 – tal como o CM já tinha noticiado em Julho de 2006. Os tanques irão equipar a Brigada Mecanizada do Exército, substituindo os M60 que datam do início dos anos 80. Os Leopard 2A6 são reconhecidos como um dos mais capazes tanques do mundo, contando com uma blindagem de 3.ª geração. Fonte militar disse ao CM que ainda não está definido um calendário para a trasnsferência.
PORMENORES
VIATURAS TÁCTICAS
A Fabrequipa quer construir as 101 viaturas tácticas 4x4 que o Exército irá dentro de meses pôr a concurso. Francisco Pita assegurou ter já sido abordado por três empresas que vão concorrer. Segundo apurou o CM, há sete interessados: dos Estados Unidos, Espanha, Alemanha, África do Sul, Itália e Suíça.
SAÍDA DO BARREIRO
Se conseguir avançar com a linha de Protecção Balística e ‘ganhar’ as viaturas tácticas, a Fabrequipa pode vir a ter de procurar outro local. Francisco Pita diz que não poderá ser no Barreiro mas garante que não saíra da Margem Sul, ficando em Palmela. A empresa tem cerca de 100 trabalhadores.
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