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Correio da Manhã

Portugal
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Exigiu salários em atraso e foi agredido pelo patrão

Um serralheiro de 44 anos, residente no Bombarral, acusa o ex-patrão de o ter espancado quando se dirigiu à empresa para exigir os ordenados em atraso. O homem ficou maltratado e esteve hospitalizado durante dois dias.
19 de Janeiro de 2007 às 00:00
Exigiu salários em atraso e foi agredido pelo patrão
Exigiu salários em atraso e foi agredido pelo patrão FOTO: Ilustração de Ricardo Cabral
A cena de pancadaria verificou-se na segunda-feira, às 09h15. Joaquim António Viegas, “farto” de esperar pelo dinheiro de “vários meses” de salários em atraso, deslocou-se aos escritórios da empresa DL – Impressão Arte e Design, Lda. no Bombarral para “de uma vez por todas tentar resolver o problema”, conta ao CM.
“Fui lá para pedir aquilo que é meu – ordenados em atraso desde Agosto do ano passado – e a carta para ter direito ao subsídio de desemprego e fui espancado”, afirma Joaquim, descrevendo o caso: “O patrão apanhou-me com as mãos nos bolsos, deu-me vários murros, deitou-me ao chão e continuou a bater--me, só parando quando viu sangue por todo o lado.”
O serralheiro diz que ficou “muito maltratado” e com “a cana do nariz partida”, pelo que foi assistido no Serviço de Atendimento Permanente do Centro de Saúde do Bombarral. Devido à gravidade dos ferimentos foi transferido para o Hospital das Caldas da Rainha, onde ficou internado durante dois dias.
Na quarta-feira recebeu alta e foi apresentar queixa contra o ex-patrão na GNR do Bombarral. Luís Costa, gerente da empresa e alegado agressor, conta outra versão dos acontecimentos e em comunicado diz que reagiu “em legítima defesa”. “Não espanquei ninguém. O ex-trabalhador veio cá pedir satisfações a uma funcionária da empresa, a quem começou por ameaçar e depois tentou agredir. Nessa altura fui em sua defesa e acabei por ser agredido”, afirma Luís Costa, que também apresentou uma queixa-crime contra o ex-trabalhador.
FIRMA ESTÁ À BEIRA DE ENCERRAR
CONTRATO
O gerente da empresa DL – Impressão Arte e Design, Lda. afirma que o trabalhador cessou o seu contrato de trabalho no passado mês de Dezembro por mútuo acordo com a entidade patronal.
INSOLVÊNCIA
Luís Costa admite os salários em atraso reclamados pelo operário. Diz que a sociedade “atravessa graves dificuldades financeiras”, tendo já deliberado a apresentação do processo de insolvência.
MAIS CASOS
A União de Sindicatos do Distrito de Leiria lamenta a cena de pancadaria ocorrida na empresa do Bombarral e salienta que nos últimos meses ocorreram outros casos semelhantes na região.
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