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Correio da Manhã

Portugal
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Êxito do tratamento maior nos últimos anos

Manuel Abecassis, director da Unidade de Transplantes de Medula do IPO de Lisboa, diz que a medicina dá os primeiros passos no combate às leucemias.
24 de Julho de 2005 às 00:00
Manuel Abecassis
Manuel Abecassis FOTO: Sofia Costa
Correio da Manhã – Que novidades existem ao nível dos tratamentos para a leucemia?
Manuel Abecassis – Na área das leucemias estão a dar-se os primeiros passos. É uma área bastante mais complexa, porque as células leucémicas, são muito mais semelhante às células normais do que, por exemplo, nos linfomas, onde o sucesso e os resultados têm sido excelentes. Nas leucémias os resultados não têm taxa de sucesso tão elevada como se gostaria.
Os custos destas novas terapias são elevados. Terá a sociedade capacidade para os suportar?
– São, realmente, muito dispendiosos. Por exemplo, um dos medicamentos, Imatinib, para a leucemia mielóide crónica, veio aumentar substancialmente o custo do tratamento da doença - entre cinco a dez mil euros por mês para tratar uma pessoa que pode ter necessidade de tratamento durante cinco ou dez anos. Há um tratamento novo (bortezomib), que custa dez vezes mais do que estes números. É fácil de perceber o que isto significa para um serviço nacional de saúde.
Há uma grande diferença entre os transplantes de medula que são feitos hoje e os de há 30 anos, quando surgiram?
– As coisas mudaram muito. A taxa de sucesso aumentou substancialmente, mas pretendemos ver evoluções mais marcadas.
Portugal está mais próximo dos restantes países da Europa no que diz respeito ao número de voluntários inscritos no Registo Nacional de Dadores de Medula Óssea?
– Estamos finalmente a apanhar o passo e a atingir os 30 mil dadores devidamente estudados, o que não é mau, se compararmos, por exemplo, com Espanha, que tem à volta de 45 mil dadores, mas uma população muito superior à nossa. De acordo com o relatório anual dos dadores, de 2004, entre nós temos 8,5 dadores por cada dez mil habitantes, enquanto Espanha tem 7,4 e a Grécia 5,8. Os alemães têm praticamente dois milhões de dadores voluntários e daí que a maior parte de transplantes em Portugal venha de dadores alemães. O panorama é, portanto, animador, resultado de um esforço muito grande de todos e uma participação indispensável da população.
Quantos doentes têm dador compatível no seio familiar?
– Apenas um terço. Tudo o resto temos de ir à procura. Mas hoje já temos dadores nacionais para doentes portugueses, o que permite que o processo de transplantação corra de uma forma mais rápida – é mais fácil contactar um dador que mora no País do que um em Berlim ou na Filadélfia. Os nossos doentes já estão a beneficiar das condições criadas que têm sido criadas.
Qual seria o número ideal de dadores?
– Ninguém sabe. Os países da Europa andam à volta dos 30 mil, nós já estamos nessa margem. Se conseguirmos chegar mais além, perto dos 40 por cada dez mil habitantes será excelente. E 50 mil dadores era um número que nos deixava bastante confortáveis.
INVESTIGAÇÃO AVANÇA EM PORTUGAL
Os trabalhos na luta contra o cancro multiplicam-se em todo o Mundo. Entre nós, cerca de uma centena de doentes de dez centros de oncologia estão envolvidos num ensaio clínico mundial para testar uma nova esperança de tratamento do cancro, capaz de bloquear os factores de crescimento da célula em três tipos de tumor – colo-rectal, pulmões e pescoço. Um dos grandes objectivos é demonstrar que a sobrevivência dos doentes aumenta significativamente com o medicamento em teste.
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