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Correio da Manhã

Portugal
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Explosivos em casa

Um ucraniano, suspeito de crimes de tráfico de droga, foi detido anteontem, numa operação da GNR, com pouco mais de três quilos de explosivos, do mesmo tipo dos usados em atentados terroristas, e uma centena de detonadores de mecha.
7 de Janeiro de 2005 às 00:00
No atentado de Madrid o explosivo usado foi o ‘Goma Eco2’
No atentado de Madrid o explosivo usado foi o ‘Goma Eco2’ FOTO: Andrea Comas/Reuters
O imigrante, de 30 anos, casado com uma portuguesa, é apontado como o principal abastecedor de heroína e cocaína à região de Castelo de Paiva e Penafiel, e está já em prisão preventiva, tendo sido enviado para os calabouços da PJ do Porto.
Na casa do indivíduo, em Cebolido, Penafiel, os militares do Núcleo de Investigação Criminal de Droga da GNR de S. João da Madeira, apoiados por três dezenas de elementos de outros destacamentos, encontraram muito mais do que droga. Para além de 10 mil euros em dinheiro e artigos em ouro, o detido tinha 24 barras de ‘gelomonite 3’, um explosivo comercial (destinado a pedreiras) muito semelhante ao ‘Goma Eco2’, usado no atentado de 11 de Março, na capital espanhola.
A quantidade anormal nas mãos de um particular levantou suspeitas às autoridades, mas até ao momento, e ao que o CM apurou, o ucraniano recusou-se a dar ao tribunal qualquer explicação quanto à origem ou destino dos explosivos.
De acordo com informações prestadas ao nosso jornal por uma fonte policial, “a gelomonite é um explosivo com alta capacidade de deflagração, mas menos instável que o TNT, e por isso é uma substância de uso comercial, mas rigorosamente controlada pelas autoridades”. Quanto ao facto de um particular ter na sua posse pouco mais de três quilos desta substância, “o mais provável é que tenha sido roubada ou desviada de uma pedreira”, mas não é de excluir eventuais ligações a células terroristas.
A própria GNR, que já investigava o ucraniano há seis meses, aponta o indivíduo como “violento e perigoso”. Depois da detenção em Novembro de dois traficantes em Castelo de Paiva, as autoridades chegaram mais perto do “cabecilha” do grupo, que, inclusivamente, “empregava” consumidores na construção de uma casa à beira-Douro, pagando-lhes com droga.
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