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Correio da Manhã

Portugal
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Extorquiu mulher durante três anos

O crime prolongou-se no tempo, apoiado na fragilidade da vítima e nas ameaças à sua integridade familiar e material. Em Novembro do ano passado ganhou coragem para a denunciar e D.S. foi apanhada com dinheiro na mão, numa armadilha montada pela GNR. Começa hoje a ser julgada no Tribunal de Silves, acusada de extorsão e coacção, de forma continuada e agravada e ainda de falsificação de documento.

27 de Outubro de 2008 às 00:30
A maioria dos pagamentos foi feita em dinheiro vivo, na loja da vítima, e sem a presença de testemunhas
A maioria dos pagamentos foi feita em dinheiro vivo, na loja da vítima, e sem a presença de testemunhas FOTO: Carlos Ferreira

D.S., cidadã brasileira com 27 anos, está em prisão preventiva para acautelar o perigo de fuga. Conheceu a vítima na loja desta em Armação de Pêra, há cerca de três anos e meio. Conquistou confiança e S.P. acabou por lhe confessar estar enamorada de um rapaz. D.S. pediu-lhe uma fotografia dele e 1200 euros em dinheiro, garantindo-lhe sucesso no amor através de uma bruxaria. Foi o primeiro de muitos pagamentos, até porque o namoro aconteceu de facto, muito embora tenha acabado após a denúncia da extorsão por bruxarias que nunca foram feitas.

S.P. efectuou pagamentos semanais de 1200 euros e de 500 euros, depois de alegar dificuldades financeiras. D.S. ameaçava a vítima insinuando consequências para a sua filha, de quatro anos, para a loja e o carro. Em 2005/2006, D.S. esteve um longo período no Brasil, para onde S.P. enviou remessas mensais de dinheiro, quase todas em valor de cerca de mil euros, cujos comprovativos foi obrigada depois a entregar à cidadã brasileira.

A vítima quis libertar-se da extorsão, mas cedeu sempre às ameaças. E D.S. subiu a parada, no final de 2006, ao exigir-lhe cinco mil euros em dinheiro. S.P. teve de contrair um empréstimo para satisfazer a exigência.

A arguida chegou a forjar um documento de dívida. Conseguiu digitalizar o bilhete de identidade da vítima e falsificou a assinatura desta para rubricar uma frase manuscrita que assumia uma dívida de 8700 euros à brasileira. Em Novembro de 2007, ajudada pelo ainda namorado, S.P. denunciou a situação à GNR.

Como os pagamentos em dinheiro vivo eram habitualmente feitos na loja da vítima e com o cuidado por parte da arguida de não haver testemunhas no estabelecimento, a GNR montou uma armadilha. Um pagamento de 325 euros foi feito com notas marcadas a pó fluorescente e D.S. foi detida.

A arguida negou todos os crimes em sede de instrução. Tentou alegar que S.P. pagava prestações de empréstimos que ela própria fez à vítima e até justificou com prostituição o seu estilo de vida demasiado elevado para os magros rendimentos mensais como empregada de limpeza. Mas nada conseguiu provar e começa a hoje a responder em sede de julgamento, perante tribunal colectivo.

NÚMEROS

50 MIL EUROS

O total do dinheiro extorquido ao longo de cerca de três anos, em pagamentos periódicos de quantias variáveis, deverá rondar os 50 mil euros. A vítima chegou a contrair um empréstimo para satisfazer um pedido único de cinco mil euros.

650 EUROS

Era o rendimento mensal auferido pela arguida por tarefas de limpeza. Os bens no Brasil e em Armação de Pêra e os extractos bancários indicam mais dinheiro.

 

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