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Correio da Manhã

Portugal
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Face Oculta: Vara estranha acusação

A defesa do ex-ministro socialista e antigo administrador do Millennium BCP Armando Vara diz que o arguido no processo Face Oculta reagiu com estranheza à acusação deduzida pelo Ministério Público (MP) e admite pedir a abertura da instrução.
3 de Novembro de 2010 às 16:14
Sobre Armando Vara recai a acusação de três crimes de tráfico de influência, quando antes estava indiciado apenas por um
Sobre Armando Vara recai a acusação de três crimes de tráfico de influência, quando antes estava indiciado apenas por um FOTO: Bruno Colaço

Sobre Armando Vara recai a acusação de três crimes de tráfico de influência, quando antes estava indiciado apenas por um.

Em declarações à agência Lusa, Tiago Rodrigues Bastos, um dos advogados de Armando Vara, diz que o seu cliente "reagiu com estranheza" ao despacho divulgado na passada semana e considerou "absolutamente espantoso" que o mesmo esteja a ser confrontado com uma situação sobre a qual nunca foi ouvido. 

"Há um ano, quando esteve em Aveiro, o dr. Armando Vara disponibilizou-se para colaborar em tudo e nunca mais foi chamado a pronunciar-se sobre o que quer que seja", lembrou o causídico, afirmando que o MP veio agora imputar-lhe um crime "com base em factos relativamente aos quais nunca foi ouvido". 

O advogado realçou, também, que "há agora uma intenção de trazer o PS para o barulho, que não se compreende".  

 "É deixada cair aquela primeira acusação que lhe era movida de ter recebido  10 mil euros e, agora, isso é substituído por alegados donativos para o  PS", adiantou Tiago Rodrigues Bastos, para quem esta acusação "não tem rigorosamente nenhuma base factual".  

"Continua a ser uma acusação baseada puramente em juízos especulativos e em afirmações de terceiros e do ponto de vista jurídico é absolutamente insustentável", defendeu.  

O causídico admite que "o mais provável" é que o seu cliente venha a requerer a instrução.  

"Armando Vara deseja rapidamente que haja uma decisão judicial para sanar esta situação e a intervenção mais rápida que se consegue perspetivar é a de um cenário de instrução, até porque o processo está gizado para um julgamento que demore eternidades", explicou. 

O despacho de acusação, a que a agência Lusa teve acesso, refere que Armando Vara, "fruto das funções ministeriais, políticas e bancárias por si desempenhadas", criou "uma extensa teia de contactos capaz de lhe permitir determinar o curso do processo decisório em empresas públicas e privadas".

O MP diz ainda que o ex-ministro socialista recebeu de Manuel Godinho 25 mil euros, um estojo com decantador Herdade da Prata no valor de 685 euros, uma caneta Montblanc e um relógio com um valor global não inferior a 1500 euros e pede que o dinheiro e os artigos sejam declarados perdidos a favor do Estado. 

Ao todo o MP acusou 36 arguidos - 34 pessoas e duas empresas - por associação  criminosa, corrupção, participação económica em negócio e tráfico de influências, entre outros ilícitos, no âmbito do processo Face Oculta.

Notificados da acusação, os arguidos têm um prazo de 20 dias para requerer a abertura da instrução do processo.  

O processo Face Oculta investiga alegados casos de corrupção e outros crimes económicos de um grupo empresarial de Ovar que integra a O2-Tratamento e Limpezas Ambientais, a que está ligado Manuel José Godinho, que se encontra em prisão preventiva no âmbito deste processo.  

Entre os arguidos estão personalidades como o então presidente da REN-Redes  Elétricas Nacionais, José Penedos, que foi suspenso de funções pelo juiz de instrução, e Armando Vara, ex-ministro socialista e que se demitiu do Millennium BCP, onde desempenhou funções de administrador.

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