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Correio da Manhã

Portugal

“Falhas na prevenção nas épocas de Inverno”

Duarte Caldeira, Presidente Liga dos Bombeiros Portugueses sobre o dispositivo de combate aos incêndios florestais.
20 de Abril de 2011 às 00:30
“Falhas na prevenção nas épocas de Inverno”
“Falhas na prevenção nas épocas de Inverno”

Correio da Manhã – Quais as principais diferenças que encontra no dispositivo de combate a fogos para 2011?

Duarte Caldeira – Claramente a redução muito significativa de meios aéreos, e menos significativa de meios terrestres, empenhados na extinção dos incêndios. Isso resulta da redução de verbas. Não questionamos que haja ajustamentos do dispositivo, o que achamos estranho é não ter sido ponderada a relação custo-benefício do dispositivo em cada um dos quatro períodos de combate aos incêndios.

–Menos meios aéreos significam mudanças no combate inicial aos incêndios?

– Os meios aéreos são complementares no combate aos fogos florestais, no domínio da primeira intervenção. Uma redução dos 56 meios aéreos existentes em 2010 para os 41 que será possível empenhar no corrente ano é significativa e só poderá ser compensada com um maior reforço dos meios terrestres.

–A fase Charlie (1 de Julho a 30 de Setembro), a mais crítica, será um bom exemplo disso?

– Sim. É neste período que se dão 70% das ocorrências e 90% da área ardida. Por isso, e tendo em conta todas as reduções orçamentais que já conhecemos, a fase ‘Charlie’ é um enorme desafio para todos os intervenientes. E mais ainda caso se reunam condições meteorológicas que favoreçam a existência de um Verão com elevado número de ocorrências.

–O dispositivo actual está apto a responder a isso?

– Temos tido um dispositivo capaz de atacar 250 ocorrências diárias no pico do Verão. Mas as últimas fases ‘Charlie’ têm tido uma média de 400 a 500 ocorrências de incêndio. Por isso, apontamos a existência de falhas na prevenção nas épocas de Inverno. Continuamos a ter uma floresta desordenada, com muitos donos. Há proprietários absentistas, que não fazem limpeza.

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