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Correio da Manhã

Portugal
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FALSA GINECOLOGISTA APALPA POR TELEFONE

Uma falsa médica anda a fazer 'consultas' de ginecologia por telefone e convenceu várias mulheres do concelho de Tomar a acariciar-se e a introduzir objectos na vagina, pensando que estavam a efectuar um rastreio do cancro da mama.
17 de Outubro de 2003 às 00:00
 As vítimas crêem que os telefonemas são mesmo consultas de ginecologia
As vítimas crêem que os telefonemas são mesmo consultas de ginecologia FOTO: cm
Como a consulta é grátis, a maioria das vítimas corresponde aos pedidos feitos pela alegada ginecologista, e só mais tarde percebe que esteve a satisfazer as taras sexuais de alguém sem escrúpulos. Por vergonha, nenhuma das mulheres apresentou até agora queixa às autoridades policiais.
Há sete anos, diversas mulheres dos concelhos de Tomar e Ferreira do Zêzere foram vítimas da mesma 'brincadeira', o que leva os habitantes a suspeitarem que a mesma pessoa voltou ao activo.
Segundo o jornal "O Mirante", uma das últimas vítimas tem 63 anos e ficou traumatizada com as sevícias a que foi sujeita por ter ido na conversa da falsa médica.
Apresentando-se como "doutora Isabel", a mulher convenceu a vítima que pertencia a uma equipa de rastreio do cancro da mama.
Depois, explicou-lhe que pretendia fazer-lhe um exame ginecológico completo através do telefone, referindo tratar-se de um novo método disponibilizado aos utentes dos centros de saúde. Pelas indicações iniciais, parecia que ela "me conhecia há muito tempo", declarou a mulher.
Por isso, aceitou fechar-se no quarto e, durante mais de uma hora, fez tudo o que lhe era pedido pela voz feminina do outro lado da linha.
Apertou e esfregou os seios, introduziu objectos estranhos na vagina e só quando se queixou à falsa ginecologista que estava a sangrar foi terminado o "diagnóstico".
Com vergonha de ser obrigada a contar ao pormenor o teor da conversa mantida com a "doutora Isabel", a vítima decidiu não apresentar queixa na polícia. As outras mulheres fizeram o mesmo.
Segundo Aida Carvalho, comerciante, "há sete anos" a sua sogra foi vítima de uma brincadeira igual. Mas a mulher achou "que havia muita coisa esquisita na conversa e desligou". Na mesma altura, Maria Miguel, enfermeira, recorda-se de ouvir queixas semelhantes a mulheres de Tomar e Ferreira do Zêzere. "Deve ser uma tara", adianta a profissional.
Para Manuela Norte, directora do Centro de Saúde de Tomar, este tipo de abuso pode trazer consequências graves para as pessoas idosas e devia ser investigado pelas autoridades policiais. "O bem-estar dos utentes tem que ser salvaguardado", afirma a médica.
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