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Correio da Manhã

Portugal
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Falsas tarólogas duplicavam dinheiro

Tiveram azar às cartas as duas falsas tarólogas brasileiras que burlavam clientes em Oliveira de Frades. A GNR apanhou as mulheres, de 19 e 49 anos, em flagrante, em Reigoso, quando enganavam um casal para ficarem com 21 mil euros. As burlonas já estão em prisão preventiva a aguardar julgamento, informou ontem a GNR.
25 de Abril de 2006 às 00:00
O jogo de cartas era um engodo para a prática das burlas
O jogo de cartas era um engodo para a prática das burlas FOTO: Carlos Ferreira
“Juntem todos os bens que conseguirem e chamem-nos a casa que nós duplicaremos a quantidade de bens e resolveremos todos os problemas que os afligem” – foi esta promessa das ‘tarólogas’ que levou as vítimas, de 63 e 65 anos, a juntar 17 320 euros em dinheiro e quatro mil em ouro. Antes, o casal já havia pago mil euros em consultas de tarot, que serviram para as detidas abrirem caminho à proposta final.
Na sexta-feira, como tinha ficado combinado, as vítimas foram buscar as duas burlonas a Águeda – onde tinham consultório e atendiam clientes – e levaram-nas a casa. Aí, as brasileiras sugeriram que os bens fossem enterrados num vaso, dentro da casa. Para isso, o dinheiro e o ouro foram colocados num saco, que as brasileiras levavam e diziam ser “especial”, as janelas fechadas e uma vela foi acesa. De seguida, as detidas mandaram as vítimas voltar-se de costas, enquanto faziam uma sessão de rezas. Nessa altura, consumaram a burla: trocaram o saco que continha e dinheiro e o ouro por outro igual, mas apenas com papéis inúteis. Entretanto, avisaram o casal de que só podia mexer no saco enterrado “quando a vela se apagasse” (ou seja, quando já tivessem desaparecido).
O esquema das falsas tarólogas foi descoberto pela mulher que, suspeitando do comportamento das brasileiras, começou aos gritos e a tremer de medo, sob grande desconfiança. As burlonas ainda tentaram acalmar a cliente, mas acabaram por sair a toda a velocidade para a berma de uma estrada nacional para apanharem boleia. Não foram longe. Populares foram em socorro do casal e chamaram a GNR, que deteve as mulheres e apreendeu os bens.
As brasileiras ainda disseram que o dinheiro e o ouro lhes foram oferecidos “de boa vontade” pelo casal, mas o ‘negócio’ tinha acabado para as duas brasileiras, que já estão presas.
GNR SUSPEITA DE MAIS CASOS
Segundo a GNR, as mulheres detidas tinham muita clientela do distrito de Aveiro, que angariavam através de folhetos colocados nos pára-brisas das viaturas e em cafés. Prometiam-lhes “a cura de todas as doenças, físicas e espirituais”, bem como a “rentabilização de todos os bens”.
O comandante do Destacamento da GNR de Viseu, José Ferreira, suspeita que estas mulheres “já tenham burlado mais clientes” aproveitando “a vulnerabilidade das pessoas que as procuram”. A GNR aconselha que as pessoas sejam “prudentes e desconfiadas” sempre que abordadas por gente que se diz ‘vidente’.
VIGARIZADOS
FARO
Um senegalês foi detido em Março pela PJ de Faro, por ter burlado um idoso em 150 mil euros. O burlão dizia que afastava os males benzendo as notas.
COVILHÃ
Um casal de idosos de Ferro, Covilhã, foi burlado em 71 mil euros por uma mulher brasileira que se dizia curandeira.
CASTELO BRANCO
Em Agosto de 2004, uma brasileira vigarizou 12 pessoas que lhe davam dinheiro em troca da cura dos “males do corpo”.
ODIVELAS
“Tenho o dom de ajudar”, foi a frase que levou uma mulher de Odivelas a entregar 3400 euros a uma falsa vidente brasileira.
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