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Correio da Manhã

Portugal
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FALSOS ESPANHÓIS ROUBAM

São portugueses, mas andam em carros com matrícula espanhola e o fito é a actividade criminosa. No Algarve, dada a proximidade com a fronteira, esta situação já era conhecida, mas não na Grande Lisboa, em particular na Margem Sul e zona oriental da capital.
23 de Outubro de 2004 às 00:00
O porquê da opção é que ainda ninguém percebeu, mas a verdade é que pelo menos duas viaturas foram já referenciadas – e ambas conduzidas por portugueses, ou pelo menos não espanhóis.
Uma das mais recentes situações foi detectada na zona da Moita. Cerca das 22h30 de dia 11, segunda-feira, um Rover branco percorria a alta velocidade a estrada entre a Moita e o Pinhal Novo, no sentido da Moita. Um popular lembra-se de numa curva o carro entrar em despiste e capotar: “Vi sair de lá dois homens. Parece-me que vinham bem mas ofereci ajuda. Recusaram-se e fugiram logo dali”.
O duo, um jovem moreno, com uma argola numa orelha, e um outro de pele mais clara que usava um boné, terão depois furtado uma outra viatura e desapareceram. Quanto ao carro, apreendido pela GNR da Moita, acabou por se saber que era de matrícula espanhola e tinha sido furtado no dia 9 em Toledo, segundo confirmação das autoridades espanholas.
No dia 13, no entanto, um outro carro de matrícula espanhola era referenciado na sequência de um assalto numa ourivesaria na Baixa da Banheira. Desta vez era um Renault 5 GT Turbo, vermelho, com matrícula de Bilbau, no País Basco, mas onde se faziam transportar quatro negros, todos a falarem português.
O carro tem sido referenciado na Margem Sul em outros crimes, como o roubo por esticão, mas o curioso é que um dos artigos roubados, uma carteira, veio a aparecer na zona de Camarate, em Sacavém, já na Margem Norte do Tejo, recuperado pela PSP de Sacavém.
Na quarta-feira, dia 20, a mesma viatura voltava a ser referenciada na Margem Norte, igualmente em Sacavém, mas nas imediações do Bairro da Apelação, uma das áreas mais problemáticas da zona. Resta saber que ligações poderão ser estabelecidas.
LIGAÇÕES ENTRE DUAS MARGENS
Os movimentos do Renault 5 de matrícula espanhola têm permitido às autoridades perceber algumas ligações que estão a ser estabelecidas entre ‘gangs’ das margens sul e norte do Tejo. É que os territórios começam a ser divididos e o Renault 5 parece ter-se movimentado com um grande à-vontade na Baixa da Banheira no assalto em pleno dia à ourivesaria e da mesma forma aconteceu na zona de Sacavém.
No entanto, o grupo não estará apenas a usar esta viatura, até porque outras situações têm ocorrido na Margem Sul – como o roubo de duas caçadeiras a dois caçadores no Vale da Amoreira, na semana passada –, que parecem associadas ao mesmo grupo de indivíduos, mas onde o Renault 5 de matrícula espanhola não aparece associado pelas autoridades.
QUESTÕES
ALGARVE
No Algarve não é invulgar a recuperação de carros de matrícula espanhola que são furtados por portugueses. As viaturas são usadas para furtos e assaltos praticados por ‘gangs’.
DROGA
O movimento transfronteiriço mais frequente no pequeno crime está associado ao consumo de heroína.
É comum, por exemplo, o recurso a Badajoz e a Ayamonte.
TRÁFICO
As ligações de grupos criminosos organizados entre Portugal e Espanha existem, mas as conhecidas abrangem mais as áreas da droga e de pirataria ligada a telemóveis e cópias de filmes.
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