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Correio da Manhã

Portugal
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FALTAM 13.500 LITROS DE SANGUE

Portugal está com falta de 30 mil unidades de sangue para poder atingir a meta da auto-suficiência e seguir as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS). Para se ter uma ideia da dimensão, esta quantidade corresponde a 13.500 litros, dado que cada unidade de sangue representa 450 mililitros, pouco menos de meio litro.
12 de Julho de 2003 às 00:00
Existem cerca de 18 mil dadores inscritos nos registos do IPS
Existem cerca de 18 mil dadores inscritos nos registos do IPS FOTO: natalia ferraz
"Para um País de 10 milhões de habitantes como o nosso, a OMS considera que o número de unidades capaz de sustentar as necessidades nacionais em qualquer momento é de 350 mil unidades. Temos uma lacuna de 30 mil unidades, porque em 2002, ano de grande colheita, tivemos dádivas que ascenderam às 320 mil unidades de sangue em todo o País, enquanto os três centros regionais do IPS recolheram 140 mil unidades", afirmou ao CM Almeida Gonçalves, presidente do Instituto Português do Sangue (IPS).
Segundo este responsável, quando se fala em 30 mil unidades, não são as que fazem falta no dia-a-dia, mas sim de unidades de sangue, seus componentes e derivados que abastecem os serviços hospitalares do País e que permitem ter um armazenamento capaz de realizar tudo aquilo em que o sangue é terapêutica ou um auxiliar interventor, como no caso das cirurgias, hemorragias, grandes traumatismos e acidentes.
Tal como o Plano Nacional de Saúde (PNS) reconhece, não existe em Portugal um sistema de hemovigilância adequado. Almeida Gonçalves admite esta situação, mas frisa que "apenas a Inglaterra, França e Holanda dispõem de uma estrutura destas".
Adianta que está em preparação um programa de hemovigilância para entrar em funcionamento ainda este ano e o projecto de decreto-lei que regularizará a situação irá ser apresentado à Assembleia "lá para Outubro".
"Este programa visa a notificação de todas as situações que podem surgir com a transfusão de sangue, quer na sua preparação quer quando é administrada ao doente e essas notificações do incidente, que hoje se fazem nos hospitais, vão passar a ser canalizadas para esse centro nacional de hemovigilância, que concentrará toda a informação a nível nacional", explica o presidente do IPS.
Almeida Gonçalves sossega quem pense que a falta de um sistema de hemovigilância tenha a ver com a falta de despiste de doenças, como a sida, para quem é transfusionado.
"Há meios para detectar os dadores que eventualmente estão contaminados com sida ou com outras doenças, há reagentes que detectam logo e as unidades de sangue são destruídas. Os dadores passam a doentes, vão para os hospitais para se tratarem e essa situação não tem a ver com a hemovigilância", explica Almeida Gonçalves.
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